Empresários em Moçambique Pedem Crédito Acessível e Câmbio Estável
O sector empresarial moçambicano aumentou a pressão sobre as autoridades monetárias em busca de condições financeiras mais favoráveis ao investimento e à produção nacional. Durante a 22.ª edição do Economic Briefing, encontro económico promovido em Maputo, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) defendeu que a recente retoma do Produto Interno Bruto (PIB) só terá impacto transformador se acompanhada de estabilidade cambial e de taxas de juro comportáveis para o tecido produtivo.
Embora a conjuntura aponte para uma reversão das contracções anteriores, os empresários alertam que o custo do capital continua a asfixiar as pequenas e médias empresas. O líder da agremiação patronal salientou a urgência de harmonizar as políticas de regulação macroeconómica com a capacidade de sustentação do sector privado.
“Para o sector privado, um dos grandes desafios será encontrar o equilíbrio entre a necessária estabilidade macroeconómica, cambial e monetária e a necessidade de garantir condições para financiar a produção, o investimento e o emprego”, apontou a liderança da CTA.
O dilema da compressão de crédito e os juros elevados
O principal entrave destacado reside no chamado efeito de compressão do crédito bancário. A elevada absorção de recursos pelo endividamento público interno limita a liquidez disponível no mercado para empresas privadas, direccionando a oferta de financiamento para títulos do Estado em detrimento de investimentos produtivos.
Além disso, o sector privado queixa-se de lentidão na transmissão das reduções da taxa de política monetária para o crédito comercial. Mesmo com o ciclo de desagravamento promovido pelo banco central na taxa de referência, a taxa básica de juro praticada pela banca comercial permaneceu fixada em 15,5%, valor que antecede a aplicação das margens de risco comercial, encarecendo substancialmente qualquer empréstimo.
- Desafio da liquidez: a CTA solicita uma gestão monetária capaz de mitigar a escassez de divisas e a concorrência do endividamento estatal.
- Canal de transmissão financeira: exigência de que os cortes das taxas directoras se repercutam mais rapidamente na prime rate.
- Diálogo regular: proposta de reactivação do fórum conjunto entre o banco central e o empresariado após cada reunião decisória da política monetária.
Retoma tímida exige solidez e integração industrial
Os dados apresentados pelo Ministério das Finanças indicam que a economia moçambicana cresceu 1,7% no segundo trimestre do ano corrente, alcançando uma média de 0,9% no primeiro semestre. Apesar de assinalar uma viragem face aos períodos de retracção, a estimativa governamental revista para o ano situa-se nos 0,6%, evidenciando a necessidade de prudência estratégica.
Para alavancar esse crescimento gradual, as autoridades públicas sustentam que as empresas nacionais devem posicionar-se de forma competitiva nos projectos energéticos de gás natural liquefeito e nas cadeias de turismo e serviços. Contudo, a classe empresarial reitera que essa integração plena nos megaprojectos apenas será viável quando o acesso a divisas for regularizado e o financiamento bancário deixar de representar um custo proibitivo para o crescimento sustentável.
