Afinal, o Papa e Bad Bunny encontraram-se mesmo em Madrid
Ainda o Papa não iniciara a sua visita apostólica a Espanha e já, durante a viagem de Roma para Madrid, no sábado, os jornalistas perguntavam a Leão XIV se não teria a concorrência do porto-riquenho Bad Bunny, uma vez que este se encontrava também na capital espanhola, numa digressão que passou por Lisboa.Então, o Papa brincou com a situação e admitiu a concorrência na noite de sábado, quando se deu um dos dez concertos da estrela porto-riquenha em Madrid. “Se forem confrontados com a questão: ‘querem ver Bad Bunny ou querem ver o Papa?’, penso que muitos irão ver Bad Bunny”, disse à CNN a bordo do avião papal. “Mas penso que também haverá alguns que virão ver o Papa. E isso também diz alguma coisa, sabem.”Durante a estada do antigo cardeal norte-americano, que trabalhou durante décadas como missionário na América Latina, em Madrid, houve rumores que se tinha encontrado com o artista de Porto Rico, que actuou na última final do Super Bowl, em Fevereiro. Rumores esses que o Vaticano veio calar com a declaração de que sim, Leão XIV e Bad Bunny, de seu nome Benito Ocasio, encontraram-se na capital espanhola e, ao contrário do que diz o refrão “Debí tirar mas fotos”, a verdade, é que não serão divulgadas quaisquer imagens desse encontro.
Bad Bunny a actuar durante o intervalo do Super Bowl
Mike Blake/Reuters
De acordo com o comunicado do Vaticano de terça-feira, citado pelo The Washington Post (WP), o Papa encontrou-se com a estrela do reggaeton, cujo disco Debí Tirar Más Fotos (Devia Ter Tirado Mais Fotografias) ganhou o prémio de Álbum do Ano na última edição dos Grammys, na “companhia da sua família e de outras pessoas”, no estádio Santiago Bernabéu, em Madrid, na segunda-feira. Antes de sair do recinto, onde o Papa se juntou aos mais de 70 mil católicos que marcaram presença numa cerimónia que arrancou às 16h30 e se prolongou até à noite, Leão XIV “dirigiu uma breve saudação” a Benito e à sua comitiva.Em comum, quer o Papa quer Bad Bunny têm a mesma fé — Benito cresceu numa família católica devota e foi acólito em criança —, e atraem multidões com as suas mensagens. Se por um lado estas são muito diferentes — muitas das canções de Bad Bunny são sobre encontros casuais com diferentes mulheres, ao passo que Leão XIV fala da importância do casamento e como este é uma vocação —, por outro, quer um quer outro têm o condão de irritar uma mesma pessoa, Donald Trump, além dos seus apoiantes. Quer o Papa quer Bad Bunny têm-se mostrado críticos em relação às políticas de imigração dos EUA, e mais recentemente Leão XIV criticou a guerra contra o Irão.Por sua vez, o Presidente dos EUA criticou a actuação de Bad Bunny no Super Bowl, considerou-a “absolutamente terrível” e uma “afronta à grandeza da América”; e irritou-se com a posição do Papa face ao Médio Oriente, o bispo de Roma respondeu que vai continuar a “defender a paz”. Durante a visita a Espanha, que prossegue nesta quarta-feira em Barcelona, Leão XIV voltou a alertar para a escalada dos conflitos e como estes empurraram o mundo para uma “crise profunda”.E quanto à pergunta dos jornalistas no avião papal, segundo o WP, durante a passagem por Espanha, entre o Papa e Bad Bunny, até agora, Leão XIV tem-se revelado a “maior atracção” — aproximando-se dos dois milhões de fiéis presentes nos mais diversos eventos, com algumas das maiores multidões dos seus 13 meses de papado. Um número que ultrapassa largamente os 500 mil fãs que pagaram 80 euros ou mais para irem aos concertos de Bad Bunny na capital espanhola. “O Papa, claro, não cobra entrada”, remata o WP.



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