Julian Barnes vence Prémio Princesa das Astúrias das Letras 2026
O escritor britânico Julian Barnes venceu o Prémio Princesa das Astúrias das Letras 2026, anunciou esta quarta-feira o júri, em Oviedo, no Norte de Espanha, classificando-o como “uma das maiores revelações da narrativa inglesa das últimas décadas”.Além da obra literária de décadas, reconhecida por múltiplos galardões internacionais, a Fundação Princesa das Astúrias, promotora destes prémios, destacou também o compromisso de Julian Barnes com os direitos humanos e a sua colaboração com organizações não-governamentais como a Freedom from Torture e a Dignity in Dying.Na acta de atribuição do prémio, o júri qualificou Julian Barnes como um “extraordinário narrador e ensaísta, dotado de humor, ironia” e, citando o próprio escritor, com “um optimismo melancólico e um pessimismo alegre”.”Barnes dá uma visão lúcida, quente e compassiva do género humano e emprega a memória como [qualidade] definidora da identidade, sem renunciar à imaginação, com o amor como princípio essencial”, lê-se no mesmo texto.Para o júri, a obra de Julian Barnes “reelabora, com um olhar europeísta, a história da literatura, a arte, a música e até a gastronomia, até alcançar um estilo único, que o singulariza dentro de uma geração de autores britânicos especialmente brilhantes, que marcaram a literatura contemporânea”.
Julian Barnes, que nasceu em Leicester, no Reino Unido, em 1946, estudou Línguas Modernas em Oxford e trabalhou como lexicógrafo para o famoso dicionário Oxford de língua inglesa.Foi também crítico literário e colunista de publicações de referência como os jornais Sunday Times e The Observer ou a revista The New Yorker.Publicou em 1980 o seu primeiro livro, Metroland, que recebeu no ano seguinte o Prémio Somerset Maugham. É também autor de novelas policiais, sob o pseudónimo de Dan Kavanagh, que estreou no mesmo ano, com Duffy.Julian Barnes é actualmente publicado em Portugal pela editora Quetzal.O Prémio Princesa das Astúrias das Letras foi atribuído em 2025 ao escritor espanhol Eduardo Mendoza e, em edições anteriores, a escritores como Haruki Murakami (2023), Siri Hustvedt (2019), Leonard Cohen (2011), Amin Maalouf (2010), Margaret Atwood (2008), Nelida Piñon (2005), Arthur Miller (2002), Doris Lessing (2001), Gunter Grass (1999), Mário Vargas Llosa (1986) e Juan Rulfo (1983), entre outros.Os Prémios Princesa das Astúrias distinguem o “trabalho científico, técnico, cultural, social e humanitário” realizado por pessoas ou instituições a nível internacional.São atribuídos oito galardões todos os anos, em diversas áreas, e cada prémio consiste numa escultura do pintor e escultor espanhol Joan Miró, no valor pecuniário de 50 mil euros, num diploma e numa insígnia, entregues numa cerimónia solene com a família real espanhola, em Outubro.O prémio das Letras foi o sétimo a ser atribuído este ano, naquela que é a 46.ª edição destes galardões.Nas últimas semanas, a Fundação Princesa das Astúrias anunciou a atribuição do prémio de Desporto 2026 ao futebolista argentino Leonel Messi; o de Ciências Sociais ao historiador e ensaísta britânico Timothy Garton Ash, o das Artes à cantora e escritora norte-americana Patti Smith; o de Comunicação e Humanidades aos estúdios de animação japonesa Ghibli; o de Investigação Científica e Técnica 2026 aos químicos britânicos David Klenerman e Shankar Balasubramanian e ao biofísico francês Pascal Mayer; e o de Cooperação Internacional 2026 ao Banco Mundial de Sementes de Svalbard, na Noruega.Na próxima semana será anunciado o prémio Concórdia 2026.



Publicar comentário