Promessas e apelos a financiamento marcam arranque da conferência de Bona sobre o clima
Promessas de progresso e apelos para que os países desenvolvidos financiem o combate ao aquecimento global marcaram o início da conferência de Bona, que inicia a preparação oficial da próxima Conferência do Clima da ONU, a COP31, que se realiza na Turquia em Novembro e cujas negociações são lideradas pela Austrália.Na 64.ª sessão dos órgãos subsidiários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), que termina no próximo dia 18, o ministro do Ambiente, Urbanização e Alterações Climáticas da Turquia, e presidente designado da COP31, Murat Kurum, prometeu que na terça-feira haverá um “roteiro” com “objectivos” e “medidas” a adoptar.“Partilharemos convosco os nossos objectivos, utilizando números concretos, e também delinearemos as medidas que tomaremos para concretizar as decisões adoptadas”, prometeu, depois de o secretário-executivo da ONU para as Alterações Climáticas, Simon Stiell, ter instado os participantes a acelerarem os trabalhos.“Estamos a ser testemunhas da necessidade urgente de acelerar”, disse o responsável, que alertou que “o calor mortal está a matar milhares de pessoas num só dia”, que “os efeitos do fenómeno El Niño — exacerbados pela crise climática — auguram mais danos e crises inflacionistas” e que a guerra no Médio Oriente está a “estrangular” as economias mundiais.Neste contexto, “as próximas duas semanas representam uma oportunidade crucial para nós”, observou Murat Kurum.Na sessão de segunda-feira, o ministro das Alterações Climáticas e Energia da Austrália, Chris Bowen, manifestou-se optimista, apontando que há consenso quanto às soluções para o aquecimento global, que passam por mais energia limpa, mais electrificação, menos dependência dos combustíveis fósseis, maior soberania e fiabilidade energética e redução das emissões de gases com efeito de estufa.No entanto, as intervenções do chamado Sul Global mostraram menos consenso, com o representante do Uruguai, em nome do conhecido Grupo dos 77+China, a pedir “meios para implementação”, incluindo financiamento para adaptação e transferência de tecnologia e capacitação.O grupo “reiterou a sua profunda preocupação” com o atraso de fundos para adaptação, o mesmo fazendo o representante sul-africano (em nome do grupo BASIC — Brasil, África do Sul, Índia e China), que apontou a “questão a resolver”, a “insuficiente contribuição de apoio financeiro dos países desenvolvidos”.Chipre, que detém actualmente a presidência rotativa do Conselho da União Europeia, destacou o empenho da UE em alcançar os objectivos do Acordo de Paris, que passam por limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, e reconheceu “a necessidade urgente de aumentar o financiamento”.Estes recursos devem servir, “em particular, a adaptação dos países mais vulneráveis”, um conjunto de nações que, através de Timor-Leste, manifestou “grande preocupação” com o que considera ser a insuficiência dos “esforços actuais” para mitigar os efeitos das alterações climáticas.“Estamos a caminhar para uma situação em que é inevitável que o limite de 1,5°C seja ultrapassado em alguma medida”, disse o representante dos 44 países menos desenvolvidos.Organizações como a ambientalista WWF fizeram eco dessa preocupação em Bona, instando à intensificação da luta contra o aquecimento global, preocupação também manifestada pela Rede Internacional de Acção Climática (CAN), que reúne 2500 organizações da sociedade civil e que apelou a uma maior cooperação internacional.



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