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"Tenho a mágoa de não ter mostrado mais de mim no FC Porto"

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O pior já passou e André Franco está cada vez mais perto do regresso aos relvados. O médio de 28 anos de idade sofreu uma rotura no ligamento cruzado anterior do joelho direito em outubro de 2025 e tem estado em recuperação para poder voltar a alinhar pelo Chicago Fire. 

Em entrevista exclusiva ao Desporto ao Minuto, o ex-FC Porto fala sobre o momento mais delicado da carreira e a forma como um atleta se prepara para enfrentar estas longas paragens. 
Para além disso, André Franco afirmou que continua a acompanhar o FC Porto à distância e comentou a época gloriosa dos dragões, sem esquecer as mágoas que guarda da sua passagem pelo clube da Invicta. 
Sobre o futuro, o médio aponta o foco à MLS, mas não exclui um regresso à Europa ou a Portugal.
Como está a correr a recuperação? O regresso está para breve?
Já há luz ao fundo do túnel, já me sinto cada vez melhor. Estou na reta final, prestes a começa no campo e espero que num futuro próximo já esteja lá dentro do campo a ajudar a minha equipa.
Estar a recuperar em Portugal ajuda a que o ânimo seja outro?
Sim, claro que sim. Agora o campeonato está parado nos Estados Unidos e estou cá em Portugal, numa clínica da minha confiança, de pessoas que eu conheço e com quem gosto de trabalhar. Estou perto da minha família e dos meus amigos. Claro que, animicamente, dá sempre um boost de motivação e de energia para enfrentar esta lesão.
A pausa na MLS foi positiva a nível de timing porque o seu regresso após lesão poderá coincidir com o regresso do campeonato?
Claro, acaba por ser bom esta pausa para mim, a nível individual, mas acho que ainda não vou conseguir regressar com a equipa logo no primeiro jogo após a paragem. Contudo, é claro que ajuda porque é um mês e meio em que eu consigo ganhar de recuperação e estar mais próximo de voltar.
Como é que se gere emocionalmente estas lesões graves? Há uma preparação prévia por parte do atleta?
Acho que nunca estamos à espera e nunca estamos preparados para lidar com uma situação destas, mas quando acontece, e nós sabemos que na nossa profissão estamos sempre mais perto que isto aconteça do que uma pessoa que não trabalha na área do desporto, então nós temos de saber lidar com elas.
Quando me aconteceu foi uma situação um pouco frágil para mim, porque eu não tinha contrato com a minha equipa atual, estava emprestado, não sabia como é que iria ser o meu futuro, mas felizmente acabou tudo por correr bem. A partir do momento em que as coisas ficaram definidas no papel, a minha recuperação foi boa, ainda não acabou. Ainda assim, mentalmente acho que posso dizer que não me deixei afetar muito. Os timings dentro do mal acabaram por ser um pouco positivos, porque apanhei as férias da MLS e agora a pausa do Mundial, pelo que são dois, três meses em que não há competição e eu consigo continuar a recuperar. Por isso, até agora, nesta nova temporada falhei 14 jogos, seguramente ainda irei falhar um ao outro no verão, mas quando voltar ainda tenho mais de metade da época, se tudo correr bem para conseguir ajudar a equipa.
André Franco ao serviço do FC Porto© Getty Images
FC Porto sagrou-se campeão da I Liga, esta época. Foi acompanhando o percurso da sua antiga equipa? 
Claro, fui acompanhando sempre e foi um campeonato onde o FC Porto teve um mérito gigante em conseguir fazer aquilo que fez depois de um ano muito negativo para todos nós. Há um mérito da direção e do plantel muito grande em fazer aquilo que fizeram. Há que dar os parabéns ao FC Porto, foi um justo e merecido vencedor deste campeonato.
Qual o balanço da sua passagem pelo FC Porto?
A minha passagem pelo FC Porto foi positiva, ainda que pudesse ter sido mais. No entanto, também poderia ter sido pior, como tudo na vida. Acho que evolui bastante enquanto jogador e enquanto homem também. Uma realidade completamente diferente daquilo que eu estava habituado. E foi, sem dúvida, passar por um dos melhores clubes do mundo. Cumpri muitos sonhos, fiz muitos amigos que ainda estão lá. Sem dúvida que é um balanço muito positivo. Tenho uma mágoa comigo de não ter sido campeão nacional e de não poder ter vivido aquilo que eles viveram este ano, como a festa linda que fizeram nos Aliados. É o que é o futebol, umas vezes ganhas, outras vezes perdes e eu tive a infelicidade de não poder conquistar um título nacional pelo FC Porto.
Quais as melhores memórias e os maiores arrependimentos?
As melhores recordações são, sem dúvida, os títulos que eu ganhei – as Taças de Portugal, a Taça da Liga, a Supertaça. Conquistar títulos é algo muito positivo e que te marca. A minha estreia na Champions também é algo que eu nunca vou esquecer porque foi um cumprir de um sonho. E as mágoas é a de não ter sido campeão nacional, que foi o único título interno que me faltou conquistar. Tenho também uma mágoa comigo porque acho que poderia ter sido mais eu e ter demonstrado mais do que aquilo que me mostrei no FC Porto. Tenho pena, é o que é. Não há que pensar muito sobre isso. De uma forma geral, estou muito satisfeito com aquilo que foi a minha passagem pelo FC Porto. 
Bruno Pinheiro orientou André Franco no Estoril entre 2020 e 2022.© Getty Images  
Qual foi o treinador que mais o marcou ao longo da carreira?
Foi, sem dúvida, o Bruno Pinheiro, no Estoril. Foi alguém que me deu a mão quando pouca gente acreditava. Lançou-me na equipa principal, na segunda divisão, onde fui importante. Depois, na primeira divisão, deu-me espaço para eu conseguir mostrar todas as minhas qualidades. E sem dúvida que me ajudou muito a conseguir chegar ao Futebol Clube do Porto. Sem ele teria sido muito mais difícil.
Sente que é mais valorizado na MLS do que em Portugal?
Acho que é inevitável. Normalmente, o jogador estrangeiro é sempre mais valorizado do que o jogador português, ou neste caso, o norte-americano. Aqui em Portugal, se vem um jogador estrangeiro, vai ser mais valorizado do que o português. E lá fora, acaba por ser igual. Sinto que, nos Estados Unidos, sou bastante valorizado, as pessoas gostam de mim, acreditam em mim e dão-me espaço para que eu possa executar as minhas tarefas o melhor possível. De uma forma geral, posso dizer que sim, não por um defeito dos clubes aqui em Portugal, mas sim pela globalidade do futebol.
Quais os objetivos a nível pessoal e coletivo para o que resta de 2026?
Coletivamente, eu não posso dizer que é o objetivo do clube porque nos Estados Unidos funciona um pouco diferente, mas pessoalmente tenho muito presente na minha cabeça que nós podemos ganhar a Liga este ano. Só quero voltar o mais rápido e o melhor possível à minha forma para conseguir ajudar a equipa, até porque acredito que podemos este ano ganhar a MLS e é para isso que eu vou trabalhar. E esse é o meu grande objetivo individual, que acaba por ser um objetivo coletivo, mas eu não posso falar pelo clube inteiro, é apenas um objetivo que eu tenho na minha mente.
Está satisfeito na MLS e é lá que se quer manter num futuro próximo ou o regresso à Europa não está excluído?
Eu tenho agora contrato com o Chicago por mais de dois anos e estou bastante feliz lá. Enquadra-se perfeitamente, tanto o clube, como a Liga, naquilo que eu pretendo, que é jogar o meu futebol, ser feliz a jogar. É algo que é fundamental para todos os jogadores e que nunca podem perder. Não gosto muito de futurologias, mas não fecho a porta a um regresso à Europa ou a Portugal, mas neste momento estou bastante feliz onde estou.
 

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