Há seis casos confirmados de hantavírus, <em>MV Hondius</em> a caminho de Tenerife

Há seis casos confirmados de hantavírus, <em>MV Hondius</em> a caminho de Tenerife

Há seis casos confirmados de hantavírus, <em>MV Hondius</em> a caminho de Tenerife

Foram confirmados, até ao momento, seis casos de infecção por hantavírus, de um total de oito casos suspeitos reportados após a detecção do vírus a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, que deverá chegar a Tenerife, nas Ilhas Canárias, entre as 4h e as 6h de domingo (hora local, a mesma hora em Lisboa).Segundo avança a Organização Mundial de Saúde (OMS) num comunicado, “até 8 de Maio foram notificados oito casos, incluindo três mortes, o que corresponde a uma taxa de letalidade de 38%. “Seis casos foram confirmados em laboratório como infecções por hantavírus, todos identificados como causados pelo vírus andino”, conhecido por ser transmissível entre humanos.O director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, aterrou este sábado nas Canárias para coordenar a retirada dos passageiros do navio de cruzeiro onde foi detectado o hantavírus.Ghebreyesus acompanhará os ministros da Saúde e do Interior de Espanha até um posto de comando localizado em Tenerife “para garantir a coordenação entre as agências governamentais, o controlo sanitário e a implementação dos protocolos de monitorização e intervenção planeados”, especificaram as fontes à agência France-Presse (AFP).Estão no navio de cruzeiro 147 pessoas, de 23 nacionalidades, incluindo passageiros, tripulação e pessoal médico da OMS e do Centro Europeu de Controlo de Doenças (ECDC, na sigla em inglês).Nas últimas horas, as autoridades espanholas revelaram vários detalhes sobre como será o processo de evacuação do navio e o resto da sua viagem até aos Países Baixos. O navio cruzeiro deverá chegar ao porto de Granadilla, em Tenerife, na noite de sábado para domingo.Não se espera que o navio atraque no porto, mas sim que fique ancorado nas proximidades. Os passageiros a bordo serão transportados para terra em pequenas embarcações, como lanchas. O Governo central de Espanha afirmou que este foi um pedido das autoridades locais da ilha, embora tenha sublinhado que não havia indicação de que a atracação representasse um risco para a saúde pública, informação semelhante à transmitida pela OMS ainda nesta sexta-feira: “Este é um vírus perigoso, mas apenas para a pessoa infectada. O risco para a população em geral continua a ser extremamente baixo”, garantiu o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, aos jornalistas em Genebra na sexta-feira.Assim que chegarem ao porto de Granadilla, os passageiros serão transferidos para o principal aeroporto da ilha, que fica a cerca de dez minutos de distância. A travessia entre o porto e o aeroporto será feita em vários autocarros e tanto os motoristas como as equipas de apoio estarão com equipamentos de protecção. Os autocarros seguirão directamente para a pista do aeroporto, deixando os passageiros à porta dos seus respectivos aviões.Os cidadãos espanhóis serão transferidos de avião para um hospital militar em Madrid. Passageiros e tripulantes só poderão sair com pequenos pertences e as bagagens seguirão no barco. O corpo de uma passageira alemã que morreu no cruzeiro e continua a bordo seguirá também para os Países Baixos.Vários países, como Estados Unidos, Reino Unido, França ou Alemanha, informaram já que enviarão aviões a Tenerife para repatriar os respectivos cidadãos que estão no cruzeiro. Dentro do mecanismo europeu de protecção civil foram também já disponibilizados meios aéreos de vários países para o transporte para os locais de residência de passageiros e tripulantes. Os Países Baixos assumiram a responsabilidade de repatriar todos os casos que não tiverem resposta, com aviões nacionais ou do mecanismo europeu.


Trata-se de uma “operação inédita, de uma envergadura internacional sem precedentes”, disse a ministra da Saúde de Espanha, Mónica García, numa conferência de imprensa em Madrid neste sábado.Deverão manter-se no paquete cerca de 40 tripulantes, que prosseguirão de imediato viagem para levar o MV Hondius até aos Países Baixos, disse a directora da protecção civil espanhola. Embora as autoridades de saúde estejam a planear que todos os passageiros sejam rapidamente retirados de Tenerife por via aérea, o governo local disse estar a preparar uma unidade especial de isolamento num hospital local como medida de contingência.Mónica Garcia e o ministro da Administração Interna (MAI) de Espanha, Fernando Grande-Marlaska, presente na mesma conferência de imprensa deste sábado, reiteraram que o desembarque e repatriamento das pessoas a bordo do barco a partir de Tenerife se fará em zonas reservadas e isoladas do porto industrial de Granadilla e do aeroporto Tenerife Sul, sem qualquer contacto com a população local.Tripulantes e passageiros só sairão do barco quando o avião que os vai repatriar estiver já preparado para descolar e serão levados directamente à pista do aeroporto. Também o percurso de cerca de dez quilómetros entre o porto e o aeroporto, em que serão usados veículos militares, estará isolado.Todas as pessoas envolvidas estarão com máscaras e outros equipamentos de protecção sanitária. “O dispositivo está todo preparado” para que a operação decorra “da forma mais rápida possível e em condições de máxima segurança”, afirmou, por diversas vezes, o ministro Grande-Marlaska.Os hantavírus são vírus zoonóticos, caracterizados por infectar roedores, e diferentes espécies circulam na Europa, na Ásia e no continente americano. Apenas algumas das espécies estão associadas à infecção humana, podendo causar doença grave.Não existe vacina nem tratamento específico para este vírus, cuja estirpe dos Andes, detectada em passageiros do cruzeiro, é a única em que se conhecem casos de transmissão entre humanos. O cruzeiro onde foram registados os casos e, até agora, três mortes, zarpou de Ushuaia, na Patagónia, a 1 de Abril, para uma viagem através do oceano Atlântico, e as autoridades de saúde querem determinar se o contágio aconteceu em terra (na Argentina, no Chile ou no Uruguai), através de roedores, ou já a bordo do navio. Com Lusa

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