
Luís Pinto, treinador que esta época passou pelo comando técnico do Vitórias SC, concedeu, no sábado, uma extensa entrevista ao jornal desportivo espanhol Marca, na qual, entre outros temas, falou sobre o que o motivou a ser treinador de futebol, apontado José Mourinho, que está de saída do Benfica para o Real Madrid, como uma das inspirações.
“Quando eu tinha vinte e poucos anos, ocorreu em Portugal um fenómeno relacionado com a aparição de José Mourinho. Ele ganhou a Liga dos Campeões e a Taça UEFA com o FC Porto e mudou a dinâmica do jogo e o papel do treinador. Eu era jogador e comecei a interessar-me por ser treinador graças a Mourinho. Continuei a jogar futebol enquanto estudava na faculdade e treinava nos escalões de formação até que, aos 23 anos, fui convidado para ser treinador adjunto do Trofense, da II Liga. Foi aí que, definitivamente, deixei a carreira de jogador”, começou por dizer Luís Pinto, que ascendeu na carreira de forma meteórica.
“A base dessa ascensão meteórica dos últimos anos foi construída com muito trabalho e dedicação prévios. A temporada 2023/24 no Fafe foi uma época fantástica, marcada pela regularidade, que nos permitiu dar o salto para o futebol profissional”, prosseguiu o técnico.
Seguiu-se uma passagem pelo Tondela, sagrando-se campeão da II Liga e promovendo o clube beirão ao escalão máximo do futebol nacional. A porta da I Liga foi aberta no verão do ano passado, com o ‘salto’ para o comando técnico do Vitória SC, um dos históricos do futebol português. A passagem por Guimarães valeu a conquista de um título.
Luís Pinto assumiu que chegou a um clube que estava num período de mudança. Contudo, conseguiu levar a turma vitoriana à conquista da Taça da Liga no final do passado mês de janeiro, quando derrotou o eterno rival Sporting de Braga em Leiria.
“Chegámos a um clube em plena reestruturação. Com várias contratações e saídas… Começámos a época com jogadores essenciais que se foram embora após quatro jornada”, vincou, recordando a conquista da Taça da Liga, o terceiro troféu na história do Vitória SC.
“O que nos permitiu derrotar o FC Porto, o Sporting e o Sporting de Braga para conquistar a Taça da Liga foi a capacidade que sempre tivemos de ver o lado positivo das coisas. Conseguir encontrar soluções para manter o barco a navegar. Vivi o título de uma forma incrível. Era a primeira final entre o Vitória SC e o Sp. Braga, um dos maiores dérbis de Portugal, e sabíamos que era um acontecimento que poderia ficar marcado na história do clube. Foi algo fantástico, mas toda a jornada o foi: a começar pela vitória no Dragão (1-3), que foi a primeira derrota do FC Porto em competições nacionais esta época, e seguindo com a vitória frente ao Sporting na final four. Fizemos um jogo incrível. O Vitória só tinha dois títulos no seu palmarés. Este foi o terceiro e tem um grande valor simbólico”, vincou.
No entanto, a conquista do troféu não segurou Luís Pinto no comando técnico. Acabaria por ser demitido por António Miguel Cardoso no início do passado mês de março, decisão que surpreendeu Luís Pinto.
“Acho que em Portugal, felizmente, estamos a mudar um pouco a cultura. Famalicão, Gil Vicente, Moreirense, Arouca… As equipas que mantiveram os mesmos treinadores, apesar de passarem por dificuldades, completaram uma época fantástica, superando as expectativas. Por isso, a minha saída, analisando os números e vendo como terminou a época, surpreendeu-me. O que eu sei é que foi um período fantástico. Conseguimos dar um título à equipa e é isso que importa”, finalizou.
O Vitória de Guimarães falhou o apuramento para as competições europeias, após o nono lugar na I Liga portuguesa de futebol, classificação que se refletiu na demissão da direção, numa época ainda marcada pela aposta em futebolistas jovens.
Lusa | 18:21 – 18/05/2026
