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Irão denuncia pressão política em relatório da agência nuclear da ONU

47232336 Irão denuncia pressão política em relatório da agência nuclear da ONU
Teerão estava envolvido em discussões com Washington sobre o seu programa nuclear quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irão em 28 de fevereiro, tal como aconteceu em junho de 2025, durante a guerra de 12 dias.

Durante os dois conflitos, as instalações nucleares iranianas foram bombardeadas por diversas vezes.
“Se a AIEA quer contribuir para uma solução diplomática, deve evitar transformar um relatório técnico numa ferramenta de pressão política”, declarou o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Kazem Gharibabadi, citado pela agência France-Presse (AFP).
Num relatório confidencial a que a AFP teve acesso na quinta-feira, a AIEA afirma que a falta de acesso a instalações nucleares no Irão constitui um “motivo de preocupação em matéria de proliferação”.
“Embora a agência reconheça que os ataques militares contra as instalações e locais nucleares iranianos criaram uma situação sem precedentes, é crucial que se possam realizar atividades de verificação no Irão sem demora”, disse a AIEA.
A agência especializada da ONU com sede em Viena nunca condenou os ataques israelo-americanos contra as instalações nucleares iranianas.
“Um ataque [militar] deste tipo não é apenas uma violação da soberania iraniana, é um golpe direto na segurança nuclear”, afirmou Gharibabadi, especialista em questões jurídicas.
“Não se pode ignorar a origem da disfunção e depois apresentar as consequências dessa mesma disfunção como uma queixa contra o Irão”, considerou.
Os países ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, e Israel, arqui-inimigo da República Islâmica e considerado por peritos como a única potência nuclear no Médio Oriente, suspeitam que Teerão quer dotar-se de armas nucleares.
O Irão nega ter tais ambições militares.
Os Estados Unidos bombardearam, em junho de 2025, três instalações nucleares iranianas em Fordo, Natanz e Isfahan, o que permitiu, segundo o Presidente norte-americano, Donald Trump, “aniquilar” o programa nuclear do país.
A extensão exata dos danos é, contudo, desconhecida e o Irão alega razões de segurança para recusar o acesso aos locais.
Uma grande incerteza envolve o destino das reservas de mais de 400 quilos de urânio altamente enriquecido que o Irão possui, vistas pela última vez em 10 de junho de 2025 pelos inspetores da AIEA.
O Irão tem recusado incluir a questão enuclear nas negociações em curso para pôr fim à guerra no Médio Oriente.
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