Há poucas festividades de origem religiosa que, em Portugal, não assumam uma forma profana na sua celebração. O Senhor de Matosinhos, imensa festa popular, não é diferente.
O mito fundacional desta romaria centra-se numa estátua de Jesus que, de alguma forma, há-de ter flutuado pelas águas mediterrânicas e, depois de ter passado o estreito de Gibraltar, acostou numa praia junto ao que hoje conhecemos como Matosinhos. Porém, faltava-lhe um braço, que, mais tarde, seria milagrosamente encontrado.
Hoje, os braços que ali cultivam mais atenção são os metálicos, rebitados por luzes cintilantes que agitam cabeças humanas a alturas bizarras. Todos os anos, entre Maio e Junho, cabe na cidade uma imensa acumulação de espectáculos. É o tempo das máquinas de peluches, dos matraquilhos, dos carrosséis e das rifas.
O Senhor de Matosinhos é o sítio onde cabe a portugalidade de uma bifana e o kebab globalizado. Joga-se à sorte, contando com a probabilidade do azar, mas rezando pelas surpresas que podem dar à costa.
