
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, pediu que os grevistas deixassem os portugueses que não querem aderir à paralisação trabalhar esta quarta-feira, mas o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, já veio dizer que estas declarações demonstram “arrogância” e “prepotência”.
As declarações de Montenegro
O primeiro-ministro mostrou-se, na terça-feira, convicto de que a “esmagadora maioria dos portugueses que trabalha” vai trabalhar esta quarta-feira, dia de greve geral, e deixou um apelo:
“Aquilo que eu espero é que deixem os portugueses trabalhar, isto é, deixem os portugueses que querem exercer um direito a poder exercê-lo, o direito à greve, mas também deixem aqueles que não querem exercer esse direito, que querem trabalhar, que querem ir para a escola, que querem ir às consultas médicas, que querem fazer aquilo que são as suas tarefas diárias que o possam fazer também”, assinalou.
Muitas vezes o que acontece, acrescentou, é que uma minoria consegue condicionar o trabalho dos outros: “Eu espero que isso não aconteça, espero que se conciliem as duas coisas, que é, uns têm o direito a exercer o direito à greve e fazem-no, outros têm o direito a trabalhar e também o possam fazer”, frisou.
O primeiro-ministro mostrou-se hoje convicto de que a “esmagadora maioria dos portugueses que trabalha” vai trabalhar na quarta-feira, dia de greve geral.
Lusa | 15:32 – 02/06/2026
A resposta da CGTP
Por sua vez, o secretário-geral da CGTP acusou já hoje o Governo de “arrogância, prepotência na forma como tem lido aquilo que é a luta dos trabalhadores”, acusando ainda Luís Montenegro de demonstrar “falta de humildade”.
“O Governo, ao longo destes 10 meses, tem demonstrado arrogância, prepotência na forma como foi conduzido este processo, na forma como tem lido aquilo que é a luta dos trabalhadores. Aliás, ainda ontem, as declarações do primeiro-ministro relativamente à greve geral demonstra uma total falta de humildade perante aquilo que está em causa. Falta de humildade na perceção daquilo que leva os trabalhadores a realizaram a segunda greve geral no seu mandato. Falta de perceção daquilo que é a realidade que conduz os trabalhadores a virem para a rua e fazer desta uma grande greve geral no sentido de derrotar o pacote laboral”, apontou.
Tiago Oliveira sublinhou que, “se até agora o primeiro-ministro não quis perceber, os trabalhadores vão fazer esse trabalho”.
Acompanhe aqui, ao minuto, todos os desenvolvimentos em torno da greve geral desta quarta-feira, dia 3 de junho, convocada pela CGTP-IN.
Notícias ao Minuto | 06:22 – 03/06/2026
Em dezembro de 2025, a CGTP e a UGT decidiram convocar uma greve geral em resposta ao anteprojeto de lei da reforma da legislação laboral apresentado pelo Governo PSD/CDS-PP, tendo sido a primeira paralisação a juntar as duas centrais sindicais desde junho de 2013, altura em que Portugal estava sob intervenção da ‘troika’.
Entretanto, a CGTP-IN entregou um pré-aviso de greve geral para quarta-feira contra as alterações à lei laboral, após as negociações com o Governo terem terminado sem acordo.
A proposta de lei do Governo de revisão da legislação laboral contempla “mais de 50 alterações” ao anteprojeto inicial, das quais 12 provenientes da UGT, indicou já a ministra do Trabalho Solidariedade e Segurança Social, Rosário Palma Ramalho.
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