
André Ventura e João Galamba envolveram-se, esta terça-feira, numa troca de farpas nas redes sociais. Na origem do desentendimento está o facto de o PS e PSD pretenderem rejeitar a proposta do Chega para a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito para apurar a “intervenção e eventual responsabilidade” de membros do último governo socialista na Operação Influencer.
“Recusar uma Comissão de Inquérito aos crimes de corrupção da operação Influencer, que envolvem António Costa e João Galamba, é a maior prova de que a democracia portuguesa está sequestrada por interesses perigosos e obscuros!”, escreveu o presidente do Chega na rede social X.
João Galamba, ex-ministro das Infraestruturas e ex-secretário de Estado da Energia, que foi constituído arguido no processo, em novembro de 2023, resolveu responder à letra:
“Olá André. Não tens mais nada que fazer senão parecer uma porteira sem vida própria? Olha, quando estiveste na CPI da TAP fizeste uma figurinha ridícula e saíste no intervalo. Vais mesmo querer repetir?”, questionou, numa resposta que, até ao momento, ainda não mereceu reação de André Ventura.
O Chega formalizou este mês a proposta de constituição de um inquérito parlamentar à Operação Influencer para aferir a legalidade da intervenção do ex-primeiro-ministro António Costa em processos ligados ao lítio, hidrogénio e ao centro de dados de Sines.
No pedido submetido no Parlamento, o partido propunha que a comissão se denominasse “Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar para avaliação da intervenção e eventual responsabilidade de membros do XXIII Governo Constitucional e de outros titulares de cargos políticos e de altos cargos públicos, com referência aos factos investigados no âmbito da Operação Influencer”.
O partido de André Ventura estabelecia como objeto desta comissão o apuramento da “extensão da intervenção” de António Costa em três processos: a exploração de lítio nas minas do Romano e do Barroso, o projeto de produção de energia a partir de hidrogénio em Sines e o projeto de construção de um ‘data center’ da Start Campus na Zona Industrial e Logística de Sines.
Esta iniciativa tinha sido anunciada a 1 de maio pelo presidente do Chega, André Ventura, depois de divulgadas notícias que referiam que António Costa falou com o amigo Diogo Lacerda Machado sobre o projeto Start Campus, em Sines, contrariando a versão apresentada em novembro de 2023 pelo ex-primeiro ministro, que havia garantido que “nunca, em circunstância alguma” tinha falado com Lacerda Machado sobre esse projeto.
Entretanto, no debate sobre esta proposta, que decorreu esta tarde no Parlamento, PS e PSD foram bastante críticos e o PSD anunciou que vai votar contra.
O líder parlamentar do PS considerou que “a extrema-direita usa a corrupção para degradar as instituições” e para “atacar os seus adversários”.
Eurico Brilhante Dias acusou o Chega de andar “de braço dado” com “o governo mais corrupto da União Europeia” e considerou que “a extrema-direita é provavelmente a mais corrupta e que promove mais a corrupção na União Europeia, não só em Portugal mas também em Espanha na Hungria e noutros países”.
A deputada do PSD Bárbara Amaral Correia defendeu que uma comissão de inquérito “não contribuirá” para o apuramento da verdade neste caso, correndo o risco de “perturbar uma investigação em curso e de transformar um processo judicial num instrumento de confronto político e mediático”.
PS e PSD deverão rejeitar a proposta do Chega para a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito para apurar a “intervenção e eventual responsabilidade” de membros do último governo socialista na Operação “Influencer”.
Lusa | 17:20 – 02/06/2026
