
Neste álbum, a fadista estreia-se como autora, ao assinar a letra “Preconceito”, com Beatriz Felício e Rita Dias, que gravou numa música de Felício.
A maioria das letras que constituem o disco foram escritas propositadamente para si, no âmbito desta temática que é “um convite à reflexão e à mudança” com o objetivo de “aprofundar a sensibilização e contribuir para a prevenção visando um futuro mais justo”, disse a fadista à agência Lusa.
“A mulher ainda hoje é vítima de forte violência, e este álbum pretende ajudar na sensibilização relativamente a todos os tipos de violência porque não existe só violência doméstica, existe violência no namoro, existem discursos de ódio e os comportamentos agressivos que também são uma forma de violência e portanto, por todas estas questões que estão a acontecer no mundo e na nossa sociedade, foi para mim uma necessidade criar este álbum e falar destas temáticas”, disse a fadista à Lusa.
Silvana Peres considera que os artistas podem ajudar na mudança das mentalidades, “visto que a música é um meio muito importante para essa mudança e também um convite à reflexão”.
“O meu objetivo é, não sei se um pouco ‘naif’ ou não, mas espero que se todas as pessoas, de alguma forma, fizerem um bocadinho o seu trabalho, consigamos um mundo mais empático e solidário, onde as pessoas tenham o direito a serem mais felizes”, afirmou a intérprete, acrescentando: “É neste sentido que eu criei este álbum, precisamos de esperança em dias melhores e acredito que em conjunto possamos conseguir uma diferença”.
Silvana Peres defendeu que “a cantiga é ainda uma arma”, como afirmou o cantautor José Mário Branco (1942-2019). “Eu acredito que sim; é sem dúvida, e é uma arma bastante importante porque as pessoas facilmente se familiarizam com as músicas que ouvem, com a arte que lhes vai chegando todos os dias, eu acho que é muito importante mesmo”.
Um dos temas, “Violência”, de autoria de Marina Mota, foi criado em 1997, para uma revista de Francisco Nicholson, “que falava sobre violência doméstica”.
“Na altura, a Marina não a gravou, foi cantada na revista e depois quando comecei a procurar o repertório e a pensar sobre estas temáticas, encontrei o tema e achei que fazia todo o sentido incluí-lo”, justificou.
O álbum conta com autoras como Joana Alegre, Elisa Rodrigues, Marta Rosa, Teresa Muge, Rita Dias, Rita Marrafa de Carvalho, Manuela de Freitas, Maria do Rosário Pedreira, e Florbela Espanca, de quem gravou “Tem Nome a Travessa”, no Fado Franklin de Quadras de Franklin Godinho.
Para a intérprete, a escolha de melodias tradicionais de fado “é mais uma demonstração de que o fado tradicional tem essa capacidade plástica”, de se adaptar às letras independentemente da sua temática.
“A Todas as Mulheres” é apresentado ao vivo no próximo 24 de julho no Teatro Camões, em Lisboa, e no dia 30 de julho, no Centro Cultural de Ermesinde, no concelho de Valongo, distrito do Porto.
O álbum foi produzido pelo músico Ângelo Freire que a acompanha na guitarra portuguesa, viola, cavaquinhos, piano e percussões, ao lado de outros músicos como Bernardo Viana (viola), Carlos Menezes (contrabaixo), Manuel Oliveira (piano), e Carlos Lopes (acordeão).
Quanto às suas expectativas sobre o álbum, afirmou: “Espero que as pessoas o recebam com mente aberta, que ouçam e se inteirem um bocadinho mais destas questões dos direitos humanos, acho que é importante também chamarmos os homens para estas temáticas e apoiarem as mulheres nestas causas e mostrando aos seus pares que estão connosco, é tentar que o máximo de pessoas tenha acesso e que se inteirem sobre estas temáticas para todos juntos e juntas conseguirmos fazer aqui um bocadinho a diferença”.
“A Todas as Mulheres” é o terceiro álbum da fadista que começou a cantar em 2001, sucedendo a “Fado no Pé” (2017) e “Água Nova” (2022).
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