Kast admite que política de austeridade causará dor, mas não terá cortes

Kast admite que política de austeridade causará dor, mas não terá cortes

Kast admite que política de austeridade causará dor, mas não terá cortes


“Não será rápido, haverá dor. Não vou prometer milagres, mas prometo que vamos repor a ordem nas contas públicas, restaurar a credibilidade dos números fiscais do Chile e colocar o crescimento económico no centro”, frisou governante de extrema-direita durante o seu primeiro discurso sobre o Estado da Nação no edifício do Congresso (Parlamento), em Valparaíso.

Kast reiterou que a situação económica e fiscal do país “é ainda mais complexa” do que acreditava antes de assumir o cargo em 11 de março, e justificou o seu ambicioso plano de austeridade, que visa cortar 6 mil milhões de dólares em 18 meses.
“Haverá pressão, haverá ruído, haverá dias difíceis. O nosso governo não se desviará do caminho. Perante o dilema entre popularidade e responsabilidade, escolhemos sempre a responsabilidade. Porque a popularidade desaparece, mas as consequências da má gestão são pagas durante anos pelas famílias chilenas”, destacou o líder do Partido Republicano do Chile.
Poucos dias depois de ter tomado posse, o Presidente ordenou um corte médio de 3% em todos os ministérios, que até agora totaliza 2 mil milhões de dólares (1,7 mil milhões de euros, à taxa de câmbio atual), segundo dados oficiais.
O Ministério da Saúde é o mais afetado, com um corte de 462 milhões de dólares (400 milhões de euros), o equivalente a 2,5% do seu orçamento, enquanto o Ministério da Cultura sofre a maior redução percentual, próxima dos 10%.
O Presidente insistiu hoje que os cortes não afetarão a assistência social ou os direitos sociais e que os ajustes visam melhorar a eficiência de várias políticas e programas públicos.
“Estamos a cumprir a nossa promessa de campanha de realizar um ajustamento fiscal profundo, sem mexer nas prestações sociais”, declarou Kast, referindo que em 2025 o país terminou o ano com um défice estrutural de 3,7% do PIB, “mais do dobro do défice de 1,6% que tinha sido prometido”.
A economia do maior produtor mundial de cobre cresceu 2,5% no ano passado e registou uma inflação de 3,5%, enquanto o desemprego ultrapassou os 8%.
Horas antes de proferir o seu primeiro discurso sobre o Estado da Nação ao Parlamento, o Banco Central do Chile anunciou que a economia do país sul-americano contraiu 1,2% face ao ano anterior, marcando a quarta queda consecutiva e a maior desde março de 2013.
Na semana passada, o Instituto Nacional de Estatística (INE) também informou que o desemprego ultrapassou em abril a marca dos 9%.
“Há pouco mais de uma década, o Chile crescia a mais de 5% e criava milhares de empregos. Este Chile estagnou. A estagnação não faz manchete, não tem o drama de uma catástrofe, mas destrói”, acrescentou.
Kast, o primeiro Presidente de extrema-direita desde o regresso à democracia, teve um início de mandato complexo, marcado por uma queda acentuada nas sondagens de opinião e por uma reformulação ministerial precoce, apenas dois meses após ter tomado posse, na qual demitiu o seu porta-voz e o ministro da Segurança.
Os seus dois primeiros meses no poder ficaram também marcados pela tramitação no Parlamento de uma mega-reforma que inclui cortes significativos de impostos para as empresas, considerada o seu projeto principal, com a qual procura elevar o crescimento para 4% até ao final do seu mandato, além de promover o emprego.
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