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Trump? "É um reflexo fiel da história dos EUA: empreendedor, charlatão"

naom_69afd507c6a86 Trump? "É um reflexo fiel da história dos EUA: empreendedor, charlatão"
Por ocasião dos 250 da América, o historiador lançou recentemente em Portugal a “História Concisa dos EUA” (The Shortest History of the United States of America), e numa conversa com a Lusa, a partir de Melbourne, Austrália, fala sobre a atual situação do país e do seu líder.

Trump “é um reflexo fiel da história americana. Quer dizer, é o ‘showman’, o empreendedor, o charlatão, a ganância e a venalidade de Trump fazem parte da sociedade americana”, refere o antigo assessor e conselheiro do primeiro-ministro australiano Paul Keating.
Para o historiador, este é um longo fio condutor da história americana, até a sua “psicopatia peculiar, há algo de muito americano” nisso.
Destaca ainda outra característica sobre Trump, que “é o seu provincianismo”, ou seja, “expressa aquele tipo de visão do mundo”, de tantos americanos serem metaforicamente “peixes de águas profundas” [deep sea fish], que “não veem nada para além do mundo exterior, que não conhecem nada para além do seu próprio mundo”.
Neste sentido, “Trump é bem assim e tal como os políticos americanos, a classe política, nunca conheceram nada além da dominação. Nunca foram o parceiro minoritário numa aliança”, prossegue o historiador.
Ao contrário de outros países europeus, ou Austrália e a Nova Zelândia, por exemplo, “Trump quer dominar” através de “negociações”, o que “é uma prática americana antiga”.
Aliás, diz Don Watson, é possível encontrar versões de Donald Trump em filmes norte-americanos antigos, os denominados da Era Dourada.
“O erro é pensar que a democracia americana estava a navegar em águas tranquilas alegremente e depois surgiu Trump e afundou-se, porque sempre houve momentos de perigo na história americana”, enfatiza.
Trump é “um tipo de personagem diferente daqueles a que estamos habituados”, sublinha, referindo que a sua força é construída “profanando tudo o que veio antes”, desde a ordem internacional liberal, os documentos sagrados, o respeito pelas instituições, pela Declaração de Independência, toda a retórica refinada de Obama e Abraham Lincoln.
Ele “nunca demonstra qualquer respeito pelas instituições. Na verdade, ele destrói instituições e constrói uma em seu próprio nome. Portanto, a sua profanação é realmente o que entusiasma a população, porque sentem que a retórica de [Barack] Obama é vazia”, salienta.
“O sonho não se concretizou” e as instituições “foram tomadas por estas elites e assim sucessivamente. Acho que é isso que o torna um pouco fascista, a profanidade”.
Um dos pais fundadores dos EUA e o seu primeiro presidente, George Washington, “pensava em pessoas como Trump nos seus pesadelos”, diz, recordando o seu discurso de despedida, que na verdade foi escrito por James Madison, um dos outros pais fundadores.
Neste discurso, Washington fala que o sucesso da nação depende da orientação providencial, no comportamento decente e honesto das instituições, defendendo consenso político.
Com Trump “passámos de um rei tirano e insano em 1776 para alguém bastante parecido com um rei tirano e insano atualmente na Casa Branca”, remata o historiador, que destaca a inteligência e a coragem dos pais fundadores da América para enfrentar o Império Britânico.
No livro, de cerca de 300 páginas, Don Watson aborda a história dos EUA desde a declaração de independência ao MAGA, e os 250 anos de convulsões, conquistas e recuos.
Os EUA nasceram em 04 de julho de 1776, quando 13 colónias declararam independência da Grã-Bretanha.
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