
O BYD Dolphin Surf é o citadino compacto deste construtor chinês. Com silhueta de hatchback, estilo desportivo e dimensões reduzidas, parece perfilar-se como um companheiro para os centros das cidades.
O Auto ao Minuto pôde conduzir, durante alguns dias, este modelo 100 por cento elétrico – levando-o a centros urbanos, deslocações interurbanas, tal como à autoestrada. Um uso diversificado do automóvel, portanto. Estivemos ao volante de uma viatura no nível de equipamento Boost (intermédio numa gama que começa com o Active e tem o Comfort no topo).
Dispõe da bateria BYD Blade Battery de primeira geração, neste caso com 43,2 kWh de capacidade para uma autonomia de até 322 km (WLTP). Também há opção de 30 kWh no nível de entrada (Active) para 200 km, ao passo que o nível superior (Comfort) tem uma bateria idêntica mas a autonomia baixa ligeiramente para 310 km.
De tração dianteira, são prometidos 156 cv de potência e 220 Nm de binário (na variante testada), com aceleração dos 0 aos 100 km/h em 12,1 segundos e uma velocidade máxima de 150 km/h (transversal a todas as versões). O carro tem apenas 3.990 milímetros de comprimento, sendo que o peso bruto é de 1.714 kg (1.638 kg no Active e 1.734 kg no Comfort).
Condução
Volante do BYD Dolphin Surf© Notícias ao Minuto
O condutor segue numa posição relativamente alta, dentro de um carro que não tem um espaço impressionante para a cabeça. A direção, talvez de forma surpreendente, parece um pouco pesada para um citadino. Não obstante, o Dolphin Surf é um automóvel bem manobrável e com agilidade como se pede para enfrentar os centros urbanos – em que o espaço em algumas vias ou, por exemplo, em estacionamento, pode não ser tão abundante quanto isso. Para essa adaptação ao meio urbano, contribuem em muito as dimensões muito compactas do veículo.
Não sendo impressionante a filtrar as irregularidades do piso, a suspensão não castiga os ocupantes em demasia do ponto de vista físico. Para além disso, encontrámos um automóvel estável, sem grandes oscilações na passagem por lombas ou depressões mais significativas a velocidades baixas e moderadas.
No entanto, desde o primeiro contacto em autoestrada, ficou evidente que não é um carro para autoestrada. Ao movimentar o volante a velocidades mais altas, o veículo parece “abanar” um pouco demais – mas sem sentirmos, em algum momento, que a segurança e controlo sejam postos em causa. O poder de aceleração também não impressiona, mesmo no modo Sport – mas também não é o que se pede de um citadino.
Para além do modo Sport, estão disponíveis o Eco, o Normal e o Snow. As diferenças não são radicais, mas são percetíveis, em particular na resposta do acelerador e na entrega de desempenho – mais suave e gradual em Eco, um pouco mais aguerrida em Sport. Mas, de qualquer modo, é sempre suave, não repentina, e bem doseável.
No geral, a experiência de condução é agradável, não faltando controlos acessíveis nem a sensação de estar a dominar os acontecimentos – mesmo quando as velocidades são um pouco mais altas. Mas não espere grandes emoções – nem sensações desportivas, como a imagem exterior pode indicar.
Energia e carregamento
O BYD Dolphin Surf é um automóvel 100 por cento elétrico, cuja eficiência não desilude. Com cerca de 240 km completados, tínhamos 28 por cento de bateria restantes – suficiente para, segundo as estimativas do sistema na altura, fazer mais 94 km.
Com uso constante do modo de condução mais económico, os consumos médios rondavam os 14 kWh/100 km – bem abaixo dos 15,6 kWh anunciados para ciclo combinado nas especificações do automóvel. Se as estimativas se concretizassem, excederíamos, também, os 322 km de autonomia combinada. Assim, podemos dizer que o BYD Dolphin Surf mostrou-se muito competente do ponto de vista dos consumos e da eficiência.
No que toca ao carregamento, experimentámos carregar num posto com potência máxima de 50 kW. Em 50 minutos, recuperámos dos 28 até aos 90 por cento, o que nos pareceu um tempo muito razoável – é certo que longe dos 22 minutos anunciados dos 30 aos 80 por cento, mas ficámos longe de poder aproveitar os 85 kW de potência máxima de carregamento.
Vida a bordo
Os bancos do BYD Dolphin Surf© Notícias ao Minuto
Vamos começar este capítulo pelo que de melhor encontrámos: a abundância de controlos físicos, incluindo controlos rotativos na consola central para funções como os quatro piscas (luzes de emergência), ativação/desativação do ar condicionado, bem como do ESC, modos de condução e volume da multimédia. Uma solução que se pode estranhar de início, mas à qual é muito fácil criar habituação.
Faltam controlos físicos fora do ecrã tátil central para os níveis de temperatura e intensidade da climatização. E, por falar em climatização, encontramos saídas em formato de losango no tablier, tal como ventilações que parecem de um carro desportivo.
No túnel central, há um apoio para braços, dois porta-copos e uma estrutura de ponte que esconde um espaço de arrumação. Na mesma zona, existem duas tomadas USB (dos tipos A e C).
O BYD Dolphin Surf não impressiona por ser espaçoso – pelo contrário. Os ocupantes da frente vão bem sentados e “encaixados”, mas o mesmo não se pode dizer de quem segue atrás – em especial pela escassez de espaço para as pernas. Por oposição, a bagageira tem dimensões interessantes: 308 litros, expansíveis até 1.037 litros com os bancos traseiros rebatidos.
De fazer ainda menção à boa insonorização do habitáculo, não existindo ruídos intrusivos ou parasitas significativos. Estivemos numa unidade com o interior a preto e cinzento, o que dá um ambiente algo escuro.
Os bancos são em pele vegan, sendo que o do condutor é ajustável eletricamente em seis posições (quatro, no caso do passageiro da frente). Também o volante multifunções é revestido a pele vegan e o para-brisas traseiro é escurecido para maior conforto e privacidade (em Comfort, as janelas laterais também são escurecidas).
Tecnologia
Quem entra no BYD Dolphin Surf, vê um painel de instrumentos digital de sete polegadas, um pouco menos sóbrio e mais divertido do que noutros modelos da marca que já tivemos em mãos – muito colorido nos seus gráficos. Há muita informação disponível, mas sem modos de visualização realmente distintos.
Ao centro, há um ecrã tátil de 10,1 polegadas rotativo, com um sistema operativo que se pode estranhar de início, mas rapidamente se torna intuitivo. E a possibilidade de o rodar é muito conveniente, adaptando-o à forma como o condutor prefere lê-lo. No entanto, nem sempre é possível rodá-lo – por exemplo, se ligado à navegação do Android Auto. E, por falar nisso, há uma fácil integração de smartphone via Android Auto, sem fios (também é possível fazê-lo com Apple CarPlay).
Para apoio ao condutor, há no BYD Dolphin Surf vários sistemas úteis, como o controlo inteligente do limite de velocidade, cruise control adaptativo (em que sentimos que a travagem é um pouco forte e tardia demais) e inteligente, Auto Hold, alerta de colisão dianteira, assistente de saída de faixa de rodagem, reconhecimento de sinais de trânsito, entre outros.
Há monitorização dos níveis de atenção e de cansaço do condutor. Mas estes são, muitas vezes, constantes e despropositados, tal como noutros modelos BYD que já experimentámos.
Há uma câmara traseira e sensores de estacionamento traseiros, que são muito úteis na hora de estacionar – mesmo se não é o veículo que mais dificuldades cria ao estacionamento.
Trata-se de um automóvel elétrico com função bidirecional Vehicle-to-Load (V2L), que permite carregar pequenos dispositivos externos com a energia disponível na bateria do automóvel.
Desenho exterior
O BYD Dolphin Surf© Notícias ao Minuto
Por fora, o BYD Dolphin Surf revela um design desportivo e arrojado, com linhas aerodinâmicas. Os faróis em halogéneo (em LED, só na versão Comfort) são de pequenas dimensões e há um spoiler traseiro dividido em duas partes que também chama a atenção. Também atrás, encontra-se uma faixa luminosa contínua em LED.
As cavas das rodas em plástico têm um design com um recorte peculiar, num carro com puxadores das portas relativamente baixos. Na parte lateral inferior, há uma parte em plástico preta com um desenho ondulado. E as janelas são ladeadas por molduras pretas. As jantes, essas, são de 16 polegadas em liga leve (embora na variante Active sejam em aço de 15 polegadas).
A cor da unidade experimentada é o azul Ice Blue, que dá um aspeto leve e descontraído ao carro. As outras opções na gama atual são branco Apricity White, preto Polar Night Black e verde Lemon Green – disponíveis em qualquer um dos níveis de equipamento.
Em termos de dimensões, o BYD Dolphin Surf tem 3.990 milímetros de comprimento, 1.970 milímetros de largura (contando os espelhos retrovisores exteriores rebatíveis) e 1.590 milímetros de altura. A distância entre eixos é de 2.500 milímetros e o peso bruto fica-se nos 1.714 kg (no caso da variante Boost, sendo de 1.638 kg no Active e de 1.734 kg no Comfort).
O preço
Na data de redação deste artigo, o BYD Dolphin Surf está disponível, em Portugal, a partir dos 25.225 euros – embora com a motorização ensaiada os preços comecem nos 28.225 euros. Algo que fica bem acima de certos concorrentes como o Dacia Spring, o Leapmotor T03 ou o novo Renault Twingo cujo custo começa abaixo dos 20 mil euros.
ESPECIFICAÇÕES TECNICAS
BYD DOLPHIN SURF BOOST
MOTOR
Posição
Eixo dianteiro
Arquitetura
Síncrono de íman permanente
Capacidade da bateria
43,2 kWh
Potência
156 cv
Binário
220 Nm
TRANSMISSÃO
Tração
Dianteira
Caixa de velocidades
Velocidade única
CHASSIS
Suspensão
FR: MacPherson; TR: Barra de torsão
Travões
FR: Discos ventilados; TR: Discos sólidos
Direção
Assistência elétrica
DIMENSÕES E CAPACIDADES
Comp. x Larg. x Alt.
3.990 mm x 1.970 mm x 1.590 mm
Distância entre eixos
2.500 mm
Capacidade da mala
308 l (1.037 l com bancos traseiros rebatidos)
Rodas
FR/TR: 185/55 R16
Peso
1.714 kg
PRESTAÇÕES E CONSUMOS
Velocidade máxima
150 km/h
0-100 km/h
12,1s
Autonomia combinada/cidade
322 km/507 km
Consumo misto
15,6 kWh
Tempo de carregamento rápido 10-80% (85 kW)
30 minutos
Tempo de carregamento doméstico 0-100% (11kW)
5 horas
Emissões CO2
0 g/km
7,5
0-10
ANÁLISE
O BYD Dolphin Surf é um carro para condutores individuais em deslocações casa-trabalho-casa ou que transportem poucas pessoas. Sendo um citadino, é também muito apto para o uso urbano, apresentando-se ágil. Não é problemático para famílias, desde que pequenas (só há quatro lugares, e decididamente quatro adultos não cabem confortavelmente). E, como o desempenho em autoestrada não impressiona, o uso deve ser iminentemente citadino – embora não desiluda em percursos interurbanos que não exijam muita potência e binário e velocidades muito altas. O preço, algo acima de concorrentes como o Dacia, pode ser um inconveniente do BYD Dolphin Surf na hora de pensar adquiri-lo.
A BYD anunciou a chegada à Europa de um novo hatchback do segmento B híbrido plug-in já em junho. É o Dolphin G DM-i, com 1.000 km de autonomia e um aspeto pioneiro na gama.
Bernardo Matias | 11:13 – 26/05/2026
