
“Infelizmente, o presidente [ucraniano, Volodymyr] Zelensky demonstrou que a Ucrânia tem uma mentalidade de glorificação de bandidos e assassinos do Exército Insurgente Ucraniano e não está pronta para fazer parte da família europeia”, disse Nawrocki.
Para o presidente polaco, “não há lugar na família europeia para bandidos e assassinos que mataram mulheres e crianças, que assassinaram polacos”.
“Esses bandidos não devem ser glorificados, e o Exército Insurgente Ucraniano não pode ser glorificado”, acrescentou.
O Exército Insurgente Ucraniano (UPA, na sigla original) foi um movimento nacionalista e braço armado da Organização dos Nacionalistas Ucranianos que visava criar um Estado ucraniano independente.
O UPA lutou contra diversas frentes que ocupavam ou ameaçavam o território ucraniano, incluindo a Alemanha nazi durante a II Guerra Mundial, embora alguns elementos tenham tido uma cooperação tática inicial com os nazis.
O movimento entrou em confrontos violentos com o Estado Subterrâneo Polaco (a resistência clandestina que operou na Polónia ocupada pelos nazis e soviéticos), tendo sido responsável pelos massacres de polacos na Volínia e na Galiza Oriental (regiões que hoje pertencem à Ucrânia), oficialmente reconhecidos pela Polónia como genocídio.
Na segunda-feira, Zelensky presidiu à cerimónia do novo funeral de Melnik, uma semana depois de os seus restos mortais, juntamente com os da sua mulher, Sofia, terem sido repatriados a partir do Luxemburgo.
Melnik foi membro da Organização dos Nacionalistas Ucranianos – proibida na Rússia – uma organização política controversa, de tendência fascista, elogiada pela sua luta contra o domínio soviético e a ocupação polaca, e colaborador da Alemanha nazi durante várias fases da II Guerra Mundial.
Acusado de estar por detrás do massacre de judeus e polacos durante esse período, acabou por ser repudiado pelos próprios nazis, que o aprisionaram durante vários meses num campo de concentração em 1944.
A transferência dos restos mortais de Melnik faz parte das políticas de repatriamento planeadas pelo Governo de Zelensky, que incluem outras figuras controversas do nacionalismo ucraniano.
A Ucrânia está a negociar a sua adesão à UE, visando a integração plena até janeiro de 2027.
Após concluir o processo de triagem legislativa no final de 2025, Kiev declarou-se tecnicamente pronto para abrir as discussões formais, o que deverá acontecer, segundo determinou a comissária europeia para o Alargamento, Marta Kos, até julho.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, presidiu hoje ao enterro de Andriy Melnik, líder da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN) durante a primeira metade do século XX, que estava anteriormente sepultado no Luxemburgo.
Lusa | 17:31 – 25/05/2026
