
“A educação em Cuba está em perigo devido à atual crise energética […]. Isto compromete o futuro de toda uma geração, com consequências a longo prazo”, lê-se num comunicado da representante da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em Cuba, Anne Lemaistre, publicado na sexta-feira na conta da delegação local da organização.
Cuba, sob embargo norte-americano desde 1962, atravessa há vários anos uma crise económica muito grave, agravada nos últimos meses pelo bloqueio petrolífero imposto por Estados Unidos, bem como por outras sanções económicas norte-americanas.
A ilha do Caribe enfrenta uma grave escassez de combustível, que está a provocar a deterioração dos serviços de transportes e cortes frequentes de energia elétrica.
De acordo com Anne Lemaistre, em declarações à Agência France Presse, as restrições energéticas e a perturbação dos transportes “afetam a presença dos professores”, onde faltam atualmente “mais de 26 mil docentes”.
O Governo cubano adotou medidas de emergência, entre as quais a redução do tempo letivo e o fim antecipado do ano escolar, adiantado em várias semanas.
Além disso, no início de fevereiro, foram suspensas as aulas presenciais nas universidades, de modo a poupar eletricidade. No entanto, num país com uma rede instável e uma ligação à Internet limitada, as condições para o estudo tornaram-se extremamente precárias.
Segundo Anne Lemaistre, cerca de 400 mil alunos ficaram com os dias letivos reduzidos, e cerca de 28 mil, em fase final de ciclo, enfrentam uma “situação crítica” para concluírem os estudos, nomeadamente os que residem em zonas rurais e isoladas.
Os Estados Unidos têm pressionado o Governo de Cuba a implementar reformas económicas na ilha, enquanto impõem um bloqueio que impede a chegada de petróleo bruto ao país e ameaçaram em várias ocasiões tomar o controlo da ilha.
Além disso, o Departamento de Justiça dos EUA apresentou acusações contra o ex-presidente Raúl Castro por ter ordenado, quando era ministro das Forças Armadas, o abate, em 24 de fevereiro de 1996, de dois aviões de uma organização da oposição, o que provocou a morte de três cidadãos cubano-americanos e de um cubano residente legal nos EUA.
O caso suscitou especulações sobre se a administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, está a preparar a captura de Castro, tal como fez em janeiro na Venezuela com Nicolás Maduro, que enfrenta um julgamento por tráfico de droga nos Estados Unidos.
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