
Wang Yi reuniu-se na sexta-feira em Otava com o primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, e a sua homóloga, Anita Anand, na primeira visita de um ministro dos Negócios Estrangeiros chinês ao Canadá desde 2016.
Segundo revelou hoje o Ministério chinês, Wang Yi afirmou, durante a visita, que não existem “conflitos fundamentais” entre os dois países, mas sim “um amplo espaço de cooperação”.
O diplomata chinês adiantou que a mudança nas relações entre Pequim e Otava, na sequência da visita de Carney, “respondeu aos interesses de ambos os países” e às expectativas, acrescentando que a China está disposta a trabalhar com o Canadá com base no “respeito mútuo”, na comunicação e na gestão das diferenças.
Segundo o ministro, os dois países devem defender o multilateralismo, o direito internacional e a “autonomia estratégica”, ao mesmo tempo que apoiam o comércio livre e uma economia global aberta.
“A China está disposta a trabalhar com o Canadá para promover o desenvolvimento saudável, estável e sustentável das relações bilaterais”, disse.
Por seu lado, Carney afirmou que, desde a sua viagem à China, os contactos a vários níveis e a cooperação bilateral “foram intensificados” e produziram “resultados positivos”, divulgou o Ministério dos Negócios Estrangeiros da China.
O primeiro-ministro canadiano manifestou a disponibilidade de Otava para manter contactos de alto nível com Pequim e aprofundar a cooperação em áreas como a energia, as finanças, a agricultura e as pescas.
No encontro com a sua homóloga canadiana, Wang reconheceu que as relações entre a China e o Canadá passaram por “altos e baixos” nos últimos anos, mas disse que os contactos e a cooperação em várias áreas “foram revitalizados”.
Anita Anand, por seu lado, considerou que o Canadá atribui grande importância às relações com a China, que as trocas a vários níveis estão a tornar-se cada vez mais frequentes e que a cooperação em energia, finanças e comércio está a crescer rapidamente, adiantou o Ministério chinês.
A ministra canadiana afirmou ainda que Otava pretende aumentar as exportações para o mercado chinês em 50% até 2030 e agradeceu a Pequim a isenção de vistos concedida aos cidadãos canadianos para estadias curtas.
As relações entre os dois países estavam a deteriorar-se desde 2018, após a detenção em Vancouver de Meng Wanzhou, executiva da Huawei, a pedido dos Estados Unidos, episódio a que Pequim respondeu com a detenção dos canadianos Michael Kovrig e Michael Spavor e com restrições comerciais aos produtos canadianos.
Os três foram libertados em 2021, o que permitiu uma melhoria parcial dos laços, embora a relação se tenha voltado a deteriorar em 2023, quando o Canadá acusou a China de interferir nos seus processos eleitorais e expulsou um diplomata chinês.
O degelo acelerou após a tomada de posse de Carney, no início de 2025, num contexto em que Otava procura diversificar as relações económicas e reduzir a dependência comercial relativamente aos Estados Unidos.
Em janeiro, Carney deslocou-se a Pequim, onde se reuniu com o Presidente chinês, Xi Jinping, e anunciou uma atualização da parceria estratégica bilateral, bem como acordos para flexibilizar as restrições comerciais.
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