
A aplicação de prisão preventiva – medida de coação mais gravosa – a estes quatro detidos “implicará, de certo, o desmoronar” das práticas criminosas, defendeu o MP.
Para outros cinco suspeitos, o MP solicitou a suspensão do exercício de funções e a proibição de contactos, por qualquer meio ou por interposta pessoa, com os outros arguidos, funcionários e dirigentes da ADGaia.
Para os restantes cinco arguidos, o MP requereu que seja prestada, por cada um deles, uma caução não inferior a 100 mil euros e que fiquem proibidos de contactar entre si e com os restantes suspeitos.
O MP pediu ainda, para um destes cinco arguidos, a proibição de se ausentar do país e a entrega do passaporte.
Inicialmente, a indicação era de que seriam 13 detidos, mas este número aumentou para 14, segundo o documento.
Os detidos, funcionários da ADGaia, alguns com cargos de chefia, ex-funcionários e empresários ligados à construção civil e à venda de materiais, remeteram-se hoje ao silêncio no primeiro interrogatório judicial no Tribunal de Instrução Criminal (TIC) do Porto, adiantou à Lusa fonte judicial.
Segundo a mesma fonte, as medidas de coação serão conhecidas entre segunda e terça-feira, devendo os arguidos permanecer detidos até lá.
“A investigação, em curso há cerca de 17 meses, incide sobre um amplo esquema organizado de criminalidade económico-financeira, desenvolvido através da conjugação de esforços entre empresários do setor privado e funcionários da Empresa Municipal Águas de Gaia (ADGaia), com poderes decisórios relevantes no âmbito da contratação pública e sua respetiva execução”, adiantou a Polícia Judiciária (PJ) na terça-feira, dia das detenções, em comunicado.
O MP sustenta que os funcionários da Águas de Gaia detidos manipularam, alegadamente, dezenas de contratos para adjudicação ao mesmo empreiteiro em troca de dinheiro, eletrodomésticos, compras, jantares, férias, obras em casa e consultas médicas.
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