
O socialista João Soares considerou, esta quinta-feira, que a Operação Imergente, levada a cabo pela Polícia Judiciária (PJ) e pelo Ministério Público (MP), na sede nacional do Partido Socialista (PS) e em várias autarquias, “não cheira nada bem” e parece “claramente ter uma orientação política”.
“Esta operação da PJ e MP lançada hoje tendo como alvo pessoas ligadas ao PS não cheira nada bem”, começou por escrever na rede social Facebook. “Parece-me claramente ter uma orientação política, inaceitável”.
E questionou: “A que título buscas na sede de um partido contra o qual não há acusações?”
O antigo ministro da Cultura frisou que em causa está um partido a que tem a “honra e o gosto de pertencer”, defendendo que “não é um bando de malfeitores”.
“Pelo contrário, é o grande partido da liberdade e do diálogo democrático em Portugal”, sublinhou.
“Ainda por cima com o mau gosto de tudo ser feito a 28 de maio, no centésimo aniversário do golpe que instaurou a ditadura em Portugal. O que é também de muito mau gosto”, atirou.
Antes, João Soares já tinha deixado uma palavra de apoio a Duarte Moral, assessor de imprensa do Partido Socialista e um dos alegados cinco detidos na operação desta quinta-feira.
“Faço questão de aqui deixar com clareza o testemunho da minha amizade pelo meu camarada e amigo Duarte Moral. Um homem inteligente, culto e sério. Que julgo incapaz de participação em atos de corrupção. A obra como jornalista e o percurso político, cívico e intelectual falam por ele. Não sou ingénuo, nem pateta, e dou a cara pelo que digo e escrevo”, garantiu.
Recorde-se que o PS confirmou esta manhã que a PJ estava a realizar buscas na sede nacional, em Lisboa, afirmando que as diligências estão relacionadas com um dos seus trabalhadores e não com o partido.
O comunicado dos socialistas surgiu na sequência de uma operação da Polícia Judiciária em Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra, envolvendo a adjudicação de contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia, e da qual resultaram cinco detenções.
Sobre a operação, a Polícia Judiciária (PJ) indicou que foram realizadas quatro detenções fora de flagrante delito, uma detenção em flagrante delito, por posse ilegal de arma, e constituídos 37 arguidos.
Em causa está a prática dos crimes de prevaricação e participação económica em negócio, envolvendo a adjudicação de diversos contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia.
Na nota, a PJ diz que na operação estão em causa “procedimentos de ajuste direto ou de consulta prévia, em clara violação das normas legais aplicáveis e com evidente prejuízo para o erário público”.
A operação da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ, intitulada “Imergente”, visa o cumprimento de 60 mandados de busca domiciliária e 32 mandados de busca não domiciliária, nas zonas de Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra.
A operação mobilizou cerca de 400 inspetores e peritos da Polícia Judiciária e sete magistrados do Ministério Público.
O procurador-geral da República negou hoje no parlamento ter “timings políticos” nos inquéritos e buscas do Ministério Público, questionado sobre as buscas de hoje à sede do PS e freguesias ligadas ao partido.
Lusa | 22:59 – 28/05/2026
