"Tempestades ensinaram com dureza é que é fundamental prevenir"
“O que as tempestades deste ano nos ensinaram com dureza é que é fundamental prevenir”, afirmou António José Seguro, em Leiria, na 3.ª edição das “Conversas com Fomento”, uma organização do Banco Português de Fomento.
No dia em que se assinalam quatro meses da depressão Kristin, que atingiu gravemente o concelho de Leiria, o chefe de Estado salientou ser preciso integrar a adaptação climática no ordenamento do território, e “construir uma cultura de literacia para o risco nas famílias, nas empresas” e nas comunidades.
“No fundo, construir uma arquitetura estável de proteção contra catástrofes para que, quando a próxima crise chegar, não comecemos do zero”, declarou, para salientar que estas “são tarefas de todos, do Estado central, das autarquias, das empresas, das famílias” e de cada cidadão, pois “ninguém as consegue cumprir sozinho”.
Ao discursar perante cerca de 1.200 pessoas, sobretudo empresários, mas a que assistiu também o primeiro-ministro, Luís Montenegro, que falou na abertura da iniciativa, António José Seguro sustentou que o Estado tem a responsabilidade de liderar essas tarefas, “de criar as condições e garantir que a aprendizagem desta crise se traduz em políticas mais inteligentes e em comunidades mais preparadas”.
Antes, referiu-se ao relatório da Presidência Aberta na Zona Centro do país, que fez entre 06 e 10 de abril às zonas afetadas pelas tempestades, explicando que se trata de “um documento que aponta, sobretudo, necessidades, respostas imediatas e também uma visão de mais longo prazo”.
“Trata-se de um contributo que aponta ao futuro e à necessidade de, coletivamente, organizarmos melhor os nossos recursos”, prosseguiu, assinalando que “foi também nesse sentido que o Governo já apresentou e começou a executar o programa Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência e que tem no terreno, há já vários meses, uma Estrutura de Missão [para a Recuperação da Região Centro] competente, ativa e atenta”.
Para o Presidente da República, “uma crise desta dimensão resolve-se com o contributo de todos, com construção feita de forma inteligente, edificando melhor do que estava”, preparando com mais robustez, para se enfrentar “severidades atmosféricas futuras, indesejáveis, mas que podem, infelizmente, acontecer”, alertou.
“Reconstruir instalações mais resilientes, reforçar a autonomia estratégica das empresas, tornar as comunicações mais redundantes e mais seguras” são “algumas das lições que as tempestades” ensinaram e que não se pode ignorar, sendo que “o acompanhamento por parte de todas as entidades tem de continuar”, sublinhou.
Reconhecendo que há “ainda muito por fazer”, o chefe de Estado disse acreditar que o país vai “melhorar e com a expectativa de que o Estado estará presente quando for necessário e nos moldes e no tempo que seja verdadeiramente útil”.
“Uma expectativa que envolve todas as estruturas do Estado, desde a freguesia ao Poder Central”, adiantou o Presidente da República.
Aos empresários que “não desistiram, que reinvestiram, que preservaram empregos, quando seria mais fácil fechar as portas”, António José Seguro expressou “gratidão em nome de Portugal e de todos os portugueses”.
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