Sting diz que há mais “masculinidade tóxica” porque os homens não usam a “força masculina” nos seus trabalhos

Sting diz que há mais “masculinidade tóxica” porque os homens não usam a “força masculina” nos seus trabalhos

Sting diz que há mais “masculinidade tóxica” porque os homens não usam a “força masculina” nos seus trabalhos

Sting acredita que o regresso da masculinidade tóxica poderá estar ligado a uma mudança na rotina dos homens, que exige menos fisicalidade do que antigamente. “Trabalho com as mãos todos os dias como músico e tenho sorte. É raro os homens de hoje em dia usarem realmente as mãos e a sua força para fazer alguma coisa. Perdemos algo nesse sentido”, lamenta o cantor britânico, numa entrevista ao The Guardian, a propósito da estreia do musical The Last Ship no West End, em Londres.E declara: “Não tenho respostas, mas talvez a toxicidade que se vive actualmente na sociedade se deva ao facto de termos perdido essa orientação para a nossa energia, essa força masculina. É raro termos de a utilizar.”O fenómeno, analisa o artista de Englishman in New York, poderá estar ligado à desindustrialização dos anos 1970 e 1980, sobre a qual o musical escrito por Sting reflecte. “A riqueza da Grã-Bretanha foi criada nas bacias carboníferas, nas cidades siderúrgicas, nas cidades industriais e nos estaleiros navais”, argumenta o cantor, que critica: “Todas essas competências foram deitadas ao lixo… em nome do sonho de Thatcher de uma economia de serviços.”Sting avisa que não quer romantizar a vida dos homens nas indústrias, mas defende que pode ter sido essa crise de propósito físico que levou à criação da manosfera — a comunidade online que defende crenças antifeministas e misóginas. “Afinal, o que somos nós, homens, sem um navio para completar?”, diz, em tom de metáfora, reflectindo a crise de identidade que as personagens do seu musical vivem.É claro que nos estaleiros navais, como o que o musical retrata, havia problemas e Sting lembra que os conhece bem por ter nascido em Northumberland, no Norte de Inglaterra, onde se construíram navios icónicos do século XX, como o Carpathia, concluído em 1903, que participou no regaste dos passageiros do Titanic. Ainda assim, confessa que tem saudades do sentido de “comunidade” que se sentia nestas indústrias. “A cidade, apesar de passar por momentos difíceis, tinha um enorme orgulho nos navios que ali eram construídos. O trabalho era terrível, perigoso e árduo, mas aqueles homens podiam olhar para trás e dizer: ‘Bem, fui eu que construí aquilo’. O orgulho era enorme.”

Foi nesse ambiente que se inspirou para escrever The Last Ship, que estreou em Chicago, nos EUA, em 2014, mas só chega no próximo dia 22 de Setembro ao Theatre Royal Drury Lane, em West End, com canções originais de Sting e a participação do próprio enquanto personagem. “Tem sido incrivelmente difícil e desafiante, mas também a conquista mais gratificante da minha vida”, reforça o artista, cujo nome verdadeiro é Gordon Sumner.Talvez a renovada aposta de Sting no musical seja uma forma de compensar o dinheiro perdido na batalha legal contra os membros dos Police, da qual o cantor saiu vencido no Supremo Tribunal de Londres. Stewart Copeland e Andy Summers queixavam-se de que o vocalista da banda lhes devia dinheiro de direitos de autor e venceram o processo no valor de 500 mil libras (cerca de 577 mil euros).

Publicar comentário