Caixas de pizza com gordura podem ir para o ecoponto azul? Sim!
A ideia de que a caixa de pizza com manchas de gordura não pode ser reciclada já não é verdadeira. “A caixa da pizza, desde que não contenha restos de comida e que não esteja completamente impregnada de gordura, é um tipo de resíduo que pode ser colocado no contentor azul”, garante Alexandre Ventura, chefe da divisão de logística e infra-estruturas da Lipor.A alteração resulta de uma evolução técnica no próprio mercado de reciclagem do papel e do cartão. “A especificação técnica para a indústria da reciclagem teve uma grande alteração no ano de 2023”, explica o responsável da Lipor, uma associação de municípios que gere, valoriza e trata resíduos urbanos produzidos por oito municípios do Grande Porto.A indústria passou a aceitar lotes com uma percentagem diferente de “contaminantes”, o que abre a porta a que certas embalagens — antes consideradas “erradas” para o ecoponto azul — possam agora ser encaminhadas para reciclagem. A mesma lógica aplica-se, acrescenta, a outras embalagens de cartão associadas a alimentos, como caixas de bolos de aniversário ou de salgados. “A tampa normalmente não está contaminada com gordura ou cremes”, explica Alexandre Ventura, pelo que faz sentido aproveitar as partes limpas.“Se eu tiver ali uma pequenina mancha, por exemplo, não vou desperdiçar uma caixa enorme de cartão só porque tem ali um pouco de gordura”, diz Alexandre Ventura. Nesses casos, a orientação passa por colocar no ecoponto azul o que estiver em condições, deixando que a triagem e o processo industrial ajudem a encaminhar o material.A mudança, porém, não dispensa um princípio básico: espera-se avaliação crítica e bom senso por parte de quem separa os resíduos. O “ideal” é que as embalagens que contiveram alimentos “não apresentem restos de comida na própria embalagem”, frisa o responsável da Lipor, referindo-se a restos de azeitonas ou cogumelos, por exemplo.
A pergunta que se repete — “a caixa da pizza vai ou não para o ecoponto?” — tem, portanto, uma resposta condicionada: vai, desde que vazia, sem restos de comida e sem estar ensopada de gordura. Esta regra simples estende-se a outras embalagens de papel e cartão do quotidiano, da caixa de doces ao cartão que começa a amarelar com o tempo.Alexandre Ventura enquadra a mudança num “paradigma” de maior aproveitamento de materiais recicláveis e de uma indústria mais capaz de lidar com alguma contaminação. O sector, diz, tem vindo a evoluir não só no papel e cartão, mas também noutros fluxos, como o das embalagens de plástico e metal, onde hoje se recicla de forma “muito mais eficaz” do que há 10 ou 15 anos.No caso do papel e do cartão, essa capacidade assenta em processos industriais e químicos que permitem retirar contaminantes durante a reciclagem. Ao transformar o cartão em pasta, “há uma série de mecanismos que permitem recolher contaminantes durante o processo”, refere Alexandre Ventura.Apesar de a mensagem estar agora a ser veiculada numa campanha recente da Lipor, a orientação vale para Portugal inteiro. “É uma decisão a nível nacional”, garante Alexandre Ventura, uma vez que a especificação técnica é “válida em todo o território nacional”. O responsável refere ainda que as entidades do sistema de gestão de resíduos — Sociedade Ponto Verde, a Electrão e a Novo Verde — usam a mesma indicação para estes materiais, desde que cumpridos os cuidados necessários.



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