Megaoperação da Polícia Judiciária visa autarquias socialistas
A Polícia Judiciária tem em curso uma megaoperação que visa câmaras e juntas de freguesia socialistas, e durante a qual foram feitas cinco detenções, uma das quais em flagrante delito. A sede do PS, no Largo do Rato, também está a ser alvo de buscas.No centro desta investigação à criminalidade de colarinho branco estará o histórico ex-presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior de Lisboa, Miguel Coelho, que foi deputado do PS entre 1995 e 2019.”Em causa estão procedimentos de ajuste directo ou de consulta prévia, em clara violação das normas legais aplicáveis e com evidente prejuízo para o erário público”, esclarece a Judiciária em comunicado, adiantando que existem suspeitas da prática dos crimes de prevaricação e participação económica em negócio, envolvendo a adjudicação de diversos contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia.A operação Imergente mobiliza cerca de 400 inspectores e peritos e sete magistrados do Ministério Público, para cumprimento de 60 mandados de busca domiciliária e 32 mandados de busca não domiciliária, nas zonas de Lisboa, Mafra, Oeiras e Coimbra, tendo até ao momento sido constituídos 37 arguidos.“Miguel Coelho contratou, em Mafra, uma rede de nove elementos ex-candidatos do PS àquela autarquia, com Sérgio Santos à cabeça, enquanto director do departamento de compras da junta lisboeta. E este, com Miguel Coelho, passaram a contratar para serviços 19 empresas também da zona de Mafra e ligadas a militantes socialistas por valores que chegaram a 800 mil euros”, avança a CNN Portugal.O mesmo canal televisivo fala ainda da contratação pela Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, que está a ser alvo de buscas, da mulher de um assessor de imprensa do PS, Duarte Moral, que trabalhou com o ex-primeiro-ministro António Costa e trabalha agora com o actual líder socialista José Luís Carneiro: “A mulher de Duarte Moral celebrou contratos com a junta de Santa Maria Maior, por ajuste directo, na ordem dos 70 mil euros entre 2020 e 2022”.Questionado em 2022 pela revista Sábado, Miguel Coelho assegurava que ter 19 empresas de Mafra contratadas pela sua junta não era nada de extraordinário: “Temos contratos com várias centenas de empresas”. Sobre ter tanta gente de Mafra a trabalhar para esta autarquia, justificava-se desta forma: “Só vejo anormalidade se forem pessoas incompetentes”. Já àcerca da contratação da mulher de Duarte Moral, de quem é amigo dizia tê-la contratado por ter “um currículo respeitado.”A investigação está a cargo da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária.



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