Farioli lembra chegada ao FC Porto: "Tinha a palavra perdedor na testa"

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Farioli lembra chegada ao FC Porto: "Tinha a palavra perdedor na testa"


Francesco Farioli concedeu, ao final da tarde deste sábado, uma extensa entrevista ao diário britânico The Guardian, na qual, entre outros temas, passou em revista a época ao serviço do FC Porto, que terminou com a conquista do 31.º título de campeão nacional.

Nesta longa conversa, o treinador italiano recordou o momento em que chegou à cidade Invicta no verão do ano passado, depois de uma época desastrosa ao serviço do Ajax. Na altura, o emblema de Amesterdão desperdiçou uma vantagem de nove pontos nos últimos cinco jogos, o que lhe valeu a perda do título para o rival de Eindhoven, o PSV.
“Sinto que preciso de voltar e dar o meu melhor. Agora as expectativas são ainda maiores. Há três semanas, visto de fora, tinha grandes pontos de interrogação na cabeça. Agora há um ponto de exclamação que precisa de ser confirmado e provado”, começou por dizer o treinador italiano.
Farioli recordou o processo de conversas com o presidente André Villas-Boas e o objetivo comum que unia as duas partes: resgatar o FC Porto de regresso aos títulos.
“Estava mesmo à procura de um clube com pessoas que tivessem a mesma motivação que eu, um espírito de superar um fracasso ou algo que correu mal, depois da época muito difícil que tive no Ajax”, prosseguiu Farioli, que herdou um FC Porto em cacos depois de uma época mal sucedida com Vítor Bruno e Martín Anselmi.
“A decisão do presidente de me dar esta oportunidade foi notável, especialmente depois de um ano com dois treinadores jovens [Vítor Bruno e Martín Anselmi]. Escolher um terceiro, e alguém que tinha o rótulo de perdedor colado à testa, não foi uma decisão racional. Mas André Villas-Boas teve fé e uma convicção profunda”, sinalizou o transalpino.
Farioli falou ainda sobre aqueles que foram os seus primeiros dias no Dragão.
“O FC Porto precisava de se reconectar com certos valores e redescobrir a mística que, nas últimas épocas, se tinha desvanecido em parte. Mas também era essencial mudar a atmosfera emocional em torno da equipa: trazer de volta o entusiasmo pelo trabalho, a serenidade no ambiente e a vontade de se sentir como uma verdadeira equipa”, vincou o técnico do FC Porto, que reconheceu os desafios que surgiram depois do início positivo
“Muito rapidamente, os adversários começaram a analisar a nossa forma de jogar ao pormenor. Tentar interromper a nossa construção de jogo, limitar a nossa iniciativa e sufocar o nosso estilo tornou-se uma constante. O que salvou o FC Porto? Uma mentalidade adaptável para continuar a encontrar soluções” afirmou ainda.
Para a próxima temporada, que marcará o regresso à Liga dos Campeões, Farioli já se está a preparar e revelou uma estratégia pouco comum para pedir a opinião aos jogadores sobre o que se passou na época que agora terminou.
“Há alguns dias, entreguei-lhes um questionário anónimo para preencherem, para que tivessem toda a liberdade de nos dar uma lição, a mim e à equipa técnica, e nos dizerem o que gostavam e o que não gostavam”, finalizou.

O treinador italiano mostrou-se feliz com a passagem pelo FC Porto e enalteceu a ligação que tem com as pessoas que integram o clube, garantindo não querer perder isso.
Mafalda Ferreira Costa | 17:57 – 25/05/2026

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