Incêndios: GNR deteve este ano 103 pessoas, mais 35 do que em 2025
Na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aos negócios dos incêndios rurais, o tenente-general Rui Veloso disse a Guarda Nacional Republicana deteve 68 pessoas em 2025 pelo crime de incêndio florestal, 15 dos quais relacionados com fogo posto doloso e os restantes com a questão do uso do fogo, como queimas e queimadas.
“Este ano já vamos com cerca de 103 detidos e apenas em quatro há crimes dolosos em relação aos incêndios”, disse, precisando que “a grande maioria da questão dos incêndios tem a ver com questões negligentes em relação ao uso do fogo”.
Segundo o comandante-geral da GNR, cerca de um quarto (24%) dos incêndios validados pela corporação tem como causa o incendiarismo.
“Em termos de causa dos incêndios, não há aqui uma grande variação nas diferentes causas, mas têm sido sempre estas duas que estão na base dos incêndios, uso do fogo e incendiarismo, ambos na casa dos 20 e pouco por cento”, frisou.
Rui Veloso sublinhou o facto das ocorrências de fogo se terem reduzido nos últimos anos, enquanto a área ardida tem aumentado, nomeadamente no ano passado devido a 11 grandes incêndios.
O responsável indicou também que a GNR ainda não está na fase das contraordenações aos proprietários que não limparam os terrenos.
“Estamos apenas na fase da monitorização, no aviso aos proprietários, no contacto com as câmaras municipais para que possam limpar os terrenos caso o proprietário não o faça. Aqui a intenção desta fase de monitorização é levar à limpeza voluntária dos terrenos. Ou seja, neste momento ainda não começámos a levantar os autos de contraordenação, porque ainda não estamos no período para isso”, disse.
Segundo o comandante-geral, a GNR identificou até à data no país mais de 10 mil situações que deverão ser limpas.
O prazo limite geral para a limpeza de terrenos rústicos termina a 31 de maio, iniciando depois a GNR a fiscalização e quem não tiver os terrenos limpos arrisca é multado.
Aos deputados, o comandante-geral da GNR avançou igualmente com algumas medidas para reduzir com as ignições de incêndios como o aumento do patrulhamento de vigilância e deteção, existência de uma vigilância aérea através dos helicópteros e incremento dos sistemas de videovigilância florestal.
A Comissão Parlamentar de Inquérito aos negócios dos incêndios florestais, imposta pelo Chega, pretende investigar as causas, a gestão e os eventuais negócios associados aos grandes fogos florestais.
A esse respeito, o comandante-geral da GNR afirmou não ter qualquer conhecimento: “Neste momento não temos esse conhecimento porque também se o tivéssemos, teríamos que participar ao Ministério Público”.
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