Valor de três euros para taxa turística em Aveiro preocupa gestores hoteleiros

Valor de três euros para taxa turística em Aveiro preocupa gestores hoteleiros

Valor de três euros para taxa turística em Aveiro preocupa gestores hoteleiros

O município de Aveiro prepara-se para voltar a aplicar uma taxa turística, depois de a ter abolido em 2014, e o regulamento que está em cima da mesa aponta para um valor de três euros por noite, aplicado a hóspedes com 16 ou mais anos, até um máximo de sete noites. A proposta saída da reunião do executivo municipal da passada semana está a ser sujeita a um período de consulta pública – com o objectivo de permitir a apresentação de sugestões e contributos por parte dos cidadãos e entidades interessadas -, sendo já mais do que certo que irá merecer a discordância dos gestores das unidades hoteleiras da cidade. Os vários empresários e directores ouvidos pelo PÚBLICO criticam, não só o valor proposto – equivalente ao da cidade do Porto –, como também o timing, atendendo a que os últimos meses têm sido de quebras e Aveiro faz parte de um destino que foi fortemente afectado pelas tempestades de Inverno.“Estamos a sair de um trimestre em que tivemos uma baixa na procura, numa cidade que ainda está a crescer e não está ao nível de Lisboa ou do Porto, e querem começar a aplicar logo três euros? Parece-nos um erro de estratégia”, avalia João Silva, director do MS Collection Aveiro, argumentando: “O facto de ainda sermos o único hotel de cinco estrelas da cidade mostra o quanto Aveiro ainda está a crescer a nível turístico”.Idêntica opinião tem Filipe Almeida, do Hotel Afonso V. “O valor é exorbitante”, refere, lembrando que a conjuntura nacional e internacional tem provocado quebras significativas no número de dormidas. “As guerras, a subida dos combustíveis, não têm ajudado nada o turismo”, alerta o director da unidade hoteleira de três estrelas. Também Cristina Durães, do Hotel Moliceiro, contesta o momento escolhido para a implementação da taxa. “Aumentam-se os preços numa altura em que as pessoas já andam a fazer contas”, lamenta a empresária que, em 2013, esteve entre aqueles que lutaram pelo fim da taxa turística em Aveiro – a Associação da Hotelaria de Portugal avançou mesmo com uma providência cautelar.Aquando da votação da proposta em sede camarária, o Partido Socialista, através dos seus vereadores, também considerou o valor elevado. Não obstante terem votado favoravelmente, os vereadores da oposição defenderam que teria sido mais equilibrado fixar a taxa em 2 euros por noite, valor mais próximo da realidade de cidades como Braga (1,50 euros), Coimbra (1 euro) ou Guimarães (1,50 euros). No entender dos eleitos pelo PS, deveria ainda “ser ponderada uma redução significativa da taxa, ou mesmo a gratuitidade, a partir da terceira ou quarta noite”, segundo sustentou o vereador Rui Castilho Dias, na sua página de Facebook.Taxa pode afectar competitividade do destinoPara o especialista em turismo, e investigador da Universidade de Aveiro (UA), Carlos Costa a introdução de uma taxa turística “nunca é desejável”. “Tem sempre algum impacto na procura. Se o preço sobe, isso afecta a competitividade do destino”, comentou o director do Programa Doutoral em Turismo da UA. Aveiro, em concreto, “está numa fase de crescimento”, nota o investigador, defendendo que o caminho devia passar antes por “proteger os empresários, com vista a ter um sector forte”. Além do mais, frisa, “muitas vezes, os montantes recebidos por conta das taxas turísticas não são efectivamente aplicados em melhorias nos municípios”.Contudo, em Aveiro, tal como noutras cidades do país que já aplicam a taxa, a implementação desta medida vem colada ao argumento de que as receitas obtidas serão “canalizadas para acções de preservação, qualificação e sustentabilidade do território”, atendendo a que o turismo “tem impacto directo na utilização do espaço público, na mobilidade, na limpeza urbana, na segurança, na informação e acolhimento aos visitantes, bem como na programação cultural e valorização das zonas de maior afluência turística”, enquadrou a autarquia aveirense. “À semelhança do que já acontece em outros municípios portugueses com forte dinâmica turística, a medida procura assegurar uma repartição mais equilibrada dos encargos associados ao turismo”, foi destacado em comunicado.Resta agora saber se o executivo municipal liderado por Luís Souto Miranda (PSD/CDS/Chega) irá acolher os reparos dos gestores hoteleiros e do PS relativamente ao valor proposto por noite. Apesar das várias tentativas do PÚBLICO não foi possível, até à hora de fecho desta edição, obter uma reacção do presidente da autarquia às opiniões manifestadas pelos empresários.

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