Luiz Caracol homenageia José Mário Branco com uma versão de <em>Eu vi este povo a lutar</em>

Luiz Caracol homenageia José Mário Branco com uma versão de <em>Eu vi este povo a lutar</em>

Luiz Caracol homenageia José Mário Branco com uma versão de <em>Eu vi este povo a lutar</em>

“Há canções que não se escolhem. Que chegam antes de qualquer decisão, enraizadas em qualquer coisa que está dentro de nós antes mesmo de sabermos o seu nome. Eu vi este povo a lutar, de José Mário Branco, é uma dessas canções para mim.” Estas palavras são do cantor e compositor Luiz Caracol, que escolheu o dia do nascimento de José Mário Branco, 25 de Maio, para publicar uma versão sua, em parceria com Pedro Pity, da canção Eu vi este povo a lutar, composta originalmente para a longa-metragem A Confederação – o povo é que faz a história (1977), de Luís Galvão Teles, e regravada mais tarde para o duplo álbum Ser Solidário, editado em 1982.Para Luiz Caracol, ainda segundo o texto onde justifica a escolha desta canção, José Mário Branco “foi – e continua a ser – uma referência incontornável. Não apenas pela força política e humana da sua obra, pelo modo como soube transformar a resistência em beleza e a luta em poesia, mas também pela sofisticação com que construiu o seu universo sonoro. Os seus arranjos, a sua visão, a sua estética, a sua recusa em simplificar – tudo isso moldou profundamente a forma como entendo a música e o que ela pode ser.” Esta gravação, prossegue, “nasce desse lugar de admiração e dívida. Eu e Rui Pedro Pity quisemos fazer uma versão com um forte cunho pessoal – não apenas mais uma interpretação, mas um encontro sentido e verdadeiro com a canção. Um arranjo elaborado e moderno, gravado na íntegra pelos dois, onde cada escolha é um gesto de escuta e de homenagem. A mistura e masterização ficaram a cargo de Ivo Costa (Bateu Matou), que soube preservar e ampliar tudo o que queríamos dizer.” E, a terminar, acrescenta: “Há muito que queria fazer isto. Pois era uma dívida antiga, agora paga com o maior dos respeitos e a maior das admirações.”A acompanhar o lançamento desta versão, foi também divulgado um texto de Pedro Branco, filho de José Mário Branco e também cantor e compositor. Escreveu ele: “Uma versão não é apenas uma nova interpretação. É uma homenagem feita da pele do que somos feitos, do tempo que damos ao namoro da obra, do lugar que escolhemos para, numa forma muito própria nossa, dizermos: Eis como me quero incluir na tua canção. Eu vi este povo lutar, uma canção feita de força, de bombos e de rua, transforma-se, agora, na mão dada que o Luiz resolve dar ao Zé Mário. É assim que te quero cantar, meu Mestre. Desta forma minha de saborear e de pintar a existência, a luta, os grandes valores da nossa passagem por esta vida. Obrigado, Luiz, por teres tido esta ousadia e teres conseguido tatuar, de uma forma tão tua, o teu nome nesta fundamental canção das nossas vidas.”

Foi também em parceria com Pedro Pity, recorde-se, que Luiz Caracol compôs e lançou em Outubro de 2025 o tema Bazem de Gaza, homenagem aos que iam perdendo a vida no conflito, “uma canção que traz consigo a intenção de poder lembrar e homenagear os milhares de homens, mulheres e crianças inocentes, que perderam as suas vidas ou as suas famílias nesse conflito, assim como os médicos, os enfermeiros, os jornalistas, e as múltiplas equipas de ajuda humanitária, que lhes tentaram levar esperança e dignidade”. Não era, sublinhavam os seus autores, “uma canção sobre ideais políticos, étnicos ou religiosos”, mas sim “sobre o silêncio e a falta de humanidade de uma parte da humanidade, e a ausência de respeito de um Estado para com um povo”.Luiz Caracol lançou até à data quatro álbuns: 9, assinado Luiz e a Lata (2008), Devagar (2013), Metade e Meia (2017) e Ao Vivo no Namouche, revisão em palco dos álbuns anteriores.

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