China lança Shenzhou-23 com 3 astronautas. Um ficará um ano no Espaço
A nave espacial descolou hoje do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no noroeste da China, às 23:08 locais (16:08 em Lisboa).
Este lançamento surge num momento em que a China se prepara para a sua primeira viagem tripulada à Lua até 2030 e acontece num cenário em que a China intensifica o seu programa espacial depois de ter sido excluída da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) em 2011, ano em que os Estados Unidos proibiram a sua agência espacial, a NASA, de colaborar com Pequim devido a preocupações dos EUA em matéria de segurança nacional.
A missão marca também o primeiro voo espacial realizado por um astronauta originário de Hong Kong, território semi-autónomo chinês.
Os astronautas da missão são o comandante Zhu Yangzhu, de 39 anos, engenheiro espacial, Zhang Zhiyuan, também de 39 anos, antigo piloto da Força Aérea, e Li Jiaying, de 43 anos, que trabalhava anteriormente para a polícia de Hong Kong.
A tripulação deverá realizar dezenas de projetos científicos e de aplicação, informou a comunicação social estatal.
Espera-se também que completem uma rotação em órbita com a tripulação da Shenzhou 21, que se encontra na estação espacial Tiangong há mais de 200 dias.
Mas a principal particularidade da Shenzhou-23 reside na realização de uma estadia orbital de um ano inteiro por um dos três membros da tripulação.
Esta experiência permitirá, nomeadamente, estudar os efeitos de uma longa estadia em microgravidade.
Trata-se de uma capacidade indispensável para a preparação de futuras missões lunares, ou mesmo marcianas.
O astronauta que será selecionado para esta estadia de um ano será designado posteriormente, em função da evolução da missão Shenzhou-23, indicou no sábado um responsável da Agência Espacial de Missões Tripuladas da China (CMSA, na sigla em inglês).
Até agora, as tripulações a bordo da Tiangong permaneceram, em geral, seis meses em órbita, antes de serem substituídas.
A missão Shenzhou-23 insere-se no objetivo chinês de colocar astronautas na Lua antes de 2030, uma corrida que os Estados Unidos também lideram com o seu programa Artemis.
Os equipamentos necessários para esta ambição encontram-se atualmente em fase de testes.
A China deverá assim realizar, em 2026, o voo de teste em órbita da sua nova nave Mengzhou (“Nave dos Sonhos”), que deverá transportar os astronautas até à Lua.
Pequim espera construir, até 2035, a primeira fase de uma base científica habitada, denominada Estação Internacional de Investigação Lunar (ILRS, na sigla em inglês) e prevê, também, até ao final de 2026, receber a bordo da estação Tiangong o seu primeiro astronauta estrangeiro, que será paquistanês.
O gigante asiático desenvolveu consideravelmente os seus programas espaciais nos últimos 30 anos, para tentar alcançar o nível dos EUA, da Rússia ou da Europa.
Os seus progressos são particularmente visíveis desde há uma década.
Em 2019, a China colocou uma sonda espacial (a Chang’e-4) na face oculta da Lua, uma estreia mundial, e, em 2021, fez aterrar um pequeno robô em Marte.
Os EUA são considerados o principal rival espacial da China, com a NASA a ter como objetivo levar astronautas à superfície lunar em 2028.
A estação espacial chinesa Tiangong, que se traduz como “Palácio Celestial”, acolheu pela primeira vez a tripulação do país em 2021.
No ano passado, uma missão de emergência no âmbito do programa Shenzhou, que significa “Nave Divina”, resgatou uma equipa de astronautas que ficou retida na estação espacial devido a uma nave danificada.
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