Ébola: voluntários morreram na R.D. Congo e Angola “em risco” de ser afectada

Ébola: voluntários morreram na R.D. Congo e Angola “em risco” de ser afectada

Ébola: voluntários morreram na R.D. Congo e Angola “em risco” de ser afectada

Alikana Udumusi Augustin, Sezabo Katanabo e Ajiko Chandiru Viviane eram voluntários da Cruz Vermelha e morreram no actual surto de Ébola na República Democrática do Congo, afirmou, em comunicado, neste sábado, a Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. Também neste sábado, o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças informou que Angola é um dos dez países “em risco” de serem afectados.No comunicado, a Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho refere que Alikana Udumusi Augustin, Sezabo Katanabo e Ajiko Chandiru Viviane eram voluntários da filial da Cruz Vermelha em Mongbwalu, na província de Ituri, no Leste da República Democrática do Congo, o epicentro do surto. É referido que se “pensa que contraíram o vírus enquanto estavam ao serviço, mais precisamente em actividades de remoção de corpos a 27 de Março, como parte de uma missão humanitária que não estava ligada ao Ébola”.Nessa altura, acrescenta-se, “a comunidade não tinha conhecimento do surto” e este ainda não tinha sido identificado. As mortes dos voluntários deverão estar entre as primeiras ligadas ao surto, pois foi detectado em meados de Maio, sendo que Ajiko Chandiru Viviane morreu a 5 de Maio, Sezabo Katanabo a 15 de Maio, e Alikana Udumusi Augustin a 16 de Maio. “Estes voluntários perderam a vida enquanto prestavam serviço às suas comunidades com coragem e humanidade”, lê-se no comunicado.Até ao momento, e de acordo com os últimos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), foram confirmados 82 casos de vírus do Ébola ligados à espécie Bundibugyo. Por agora, há sete mortes confirmadas, 177 suspeitas e quase 750 casos suspeitos de infecção.Este sábado, também se confirmaram mais três casos no Uganda – que tem numa das suas fronteiras a República Democrática do Congo –, havendo agora cinco infecções confirmadas no país. O ministério da Saúde do Uganda, citado pela agência Reuters, informou que os três novos casos foram detectados num motorista, num profissional de saúde e numa mulher congolesa. Também mencionou que as autoridades reforçaram o rastreio de contactos para conter a propagação do vírus.Dez países “em risco”Ao todo, além da República Democrática do Congo e do Uganda, há dez países em África que correm o risco de virem a ser afectados pelo vírus, alertou Jean Kaseya, director-geral do Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças. “Temos dez países em risco” de serem afectados, afirmou durante uma conferência de imprensa, citado pela agência Lusa. Os países indicados foram: o Sudão do Sul, o Ruanda, o Quénia, a Tanzânia, a Etiópia, o Congo, o Burundi, Angola, a República Centro-Africana e a Zâmbia.Desde que o primeiro caso de Ébola foi detectado pela primeira vez, em 1976, já se identificaram 40 surtos, sendo este o 17.º na República Democrática do Congo. Jean Kaseya referiu-se a este, na conferência de imprensa, como “o segundo maior que se conhece no mundo”.O surto foi declarado a 15 de Maio na província de Ituri e a estirpe a que está associado tem uma taxa de mortalidade que varia entre os 30% e os 50%. Não há uma vacina ou tratamento específico e autorizado e especialistas mundiais de saúde entraram numa corrida contra o tempo para descobrir opções terapêuticas que o possam ajudar a conter. A OMS suspeita que começou, provavelmente, a circular há dois meses e já declarou o surto como “emergência de saúde pública de importância internacional”.Os alertas têm-se feito soar em diferentes direcções. Esta sexta-feira à noite, um grupo formado pelos Estados Unidos, a União Europeia e Governos de diferentes países europeus apelou às partes em conflito no Leste da República Democrática do Congo para que facilitem as operações de resposta ao surto, refere a agência Lusa.Também se soube que o Banco Mundial enviou pessoas e recursos materiais para a região Leste do país e que está a preparar um pacote de financiamento para garantir mais fundos para uma resposta ao surto, refere a agência Reuters. A responsável pelo departamento de saúde global do Banco Mundial, Monique Vledder,​ mostrou-se ainda preocupada relativamente à situação nos estados vizinhos que têm sistemas de saúde frágeis, como o Sudão do Sul e o Burundi.Na província de Ituri, a mais afectada, os velórios foram proibidos, depois de residentes na cidade de Rwampara terem entrado em confronto com a polícia ao tentarem recuperar o corpo de uma vítima, notícia a Reuters. Afinal, o vírus transmite-se por contacto directo através de fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, causando febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas. A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho também informou que os seus voluntários estão a ir de porta em porta para combater a desinformação sobre o Ébola.


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