Cientistas descobrem ponto fraco de uma das 15 bactérias mais perigosas para os humanos

Cientistas descobrem ponto fraco de uma das 15 bactérias mais perigosas para os humanos

Cientistas descobrem ponto fraco de uma das 15 bactérias mais perigosas para os humanos

Uma equipa internacional de cientistas descobriu o mecanismo molecular que permite à bactéria Pseudomonas aeruginosa resistir ao tratamento, uma descoberta que pode ajudar a reverter a sua resistência aos antibióticos actuais. O estudo, publicado no Journal of the American Chemical Society, foi conduzido por investigadores do Blas Cabrera Institute of Physical Chemistry (CSIS) e da Universidade de Notre Dame (Estados Unidos), noticiou na sexta-feira a agência Efe.A Pseudomonas aeruginosa é um agente patogénico comum nas infecções hospitalares do grupo Gram-negativas – uma das 15 bactérias mais perigosas do mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde – e possui uma membrana externa que actua como barreira protectora contra vários medicamentos, incluindo a penicilina.Neste estudo, os investigadores identificaram como esta bactéria ancora a sua membrana externa protectora à parede celular utilizando uma espécie de “rebite molecular”. Ao replicar este mecanismo in vitro, os investigadores descobriram que o bloqueio da formação deste “rebite” enfraquece a dupla blindagem da bactéria, tornando-a vulnerável aos medicamentos.Já se sabia que a membrana externa das bactérias Gram-negativas se liga à sua parede celular e inibe a acção dos antibióticos comuns, mas o mecanismo exacto era desconhecido. O estudo, que identificou a proteína responsável (PA2854), descreve passo a passo o mecanismo de ligação entre a parede celular e a membrana da bactéria e mostra que este é fundamental para a robustez do seu envelope, uma vez que reforça a sua capacidade de actuar como barreira contra os antibióticos.Utilizando cristalografia de raios X de alta intensidade (com o sincrotrão ALBA em Barcelona e o ESRF em Grenoble), os cientistas conseguiram visualizar o processo a nível atómico. Além disso, uma vez que o mecanismo de ancoragem descoberto é partilhado com outros agentes patogénicos Gram-negativos, a descoberta abre um caminho crucial para o desenvolvimento de novos alvos terapêuticos.”Os nossos resultados abrem caminho para o desenvolvimento de novas estratégias antimicrobianas que visam e interferem especificamente neste processo, tornando a membrana mais permeável aos fármacos”, sublinhou Juan Hermoso, co-líder da investigação.A bactéria Pseudomonas aeruginosa, presente no solo, na água e em ambientes húmidos, é uma causa frequente de infecções hospitalares. Pode causar desde doenças ligeiras, como otite, até infecções graves, como infecções pulmonares ou pneumonia. A crescente resistência aos antibióticos, que pode levar a humanidade de volta a uma era pré-antibiótica, está já associada a milhões de mortes anualmente em todo o mundo, dificulta o tratamento de infecções e é considerada uma das maiores ameaças à saúde global.Uma vez que o mecanismo descrito neste estudo também se encontra noutros agentes patogénicos Gram-negativos, a investigação, conduzida em conjunto pelo IQF-CSIC e pela Universidade de Notre Dame, abre caminho a novas estratégias para enfraquecer estas bactérias multirresistentes, conhecidas como “superbactérias”, e assim melhorar a eficácia dos antibióticos.

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