Dezenas de milhares de pessoas em Madrid pedem demissão de Pedro Sánchez

Dezenas de milhares de pessoas em Madrid pedem demissão de Pedro Sánchez

Dezenas de milhares de pessoas em Madrid pedem demissão de Pedro Sánchez

Dezenas de milhares de pessoas pediram este sábado em Madrid a demissão do presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, e eleições antecipadas, numa manifestação marcada por insultos e comentários xenófobos, promovida pela sociedade civil e apoiada pelo PP e Vox.A chamada “Marcha pela Dignidade” contou com 120.000 participantes, segundo os organizadores, e de acordo com a Delegação do Governo em Madrid, perto de 40.000.Segundo a agência de notícias espanhola EFE, o protesto foi marcado por insultos, incluindo contra alguns meios de comunicação social, e acusações de corrupção. “Pedro Sánchez, demissão” e “Não é um Governo, é uma máfia”, gritavam os manifestantes.Algumas dezenas de pessoas tentaram aproximar-se do Palácio da Moncloa, sede da presidência do Governo espanhol, o que obrigou ao corte do tráfego em algumas ruas e uma faixa da via rápida A6.Houve também momentos de tensão com agentes policiais nacionais destacados para o local, que manifestantes repreenderam pela alegada permissividade em relação à imigração. Ouviram-se também insultos ao presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, e ao ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. Segundo a EFE, até ao final da manhã não tinham sido reportadas detenções.A marcha era liderada por uma grande bandeira da Sociedade Civil Espanhola, que reúne mais de 150 organizações, que dizia: “Contra a corrupção e a traição – Sánchez demita-se”. Os manifestantes carregavam bandeiras espanholas e gritavam palavras de ordem como “Isto não é imigração, é uma invasão” ou “Reemigração se não comerem fiambre” – uma proclamação anti-muçulmanos, que não comem carne de porco.O Partido Popular (PP, direita) enviou uma delegação, liderada pela presidente do Senado, Alicia García, que disse à imprensa que os espanhóis disseram “chega” de acordar todos os dias com um “novo complô de corrupção”, em que “no centro” está Pedro Sánchez.García insistiu que o presidente do Governo é o “responsável político e o encobridor” dos casos de corrupção, sendo “afilhado de Zapatero, irmão de David Sánchez, marido de Begoña Gómez e chefe de Ábalos e Koldo”, referindo-se a processos em investigação que envolvem figuras próximas de Sánchez, incluindo o antigo presidente do Governo José Luis Rodríguez Zapatero.Para Alicia García, Sánchez “tem medo” porque sabe que “o tempo está a esgotar-se”, por mais que queira “agarrar-se ao poder”. “Ele deve saber que a democracia, o Estado de Direito e os espanhóis são mais fortes do que ele”, acrescentou. As eleições gerais espanholas estão previstas para 2027.García justificou a ausência no protesto do líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, alegando que este já tinha prometido participar no congresso do PP das ilhas baleares.A marcha contou também com a presença de uma grande representação do Vox, com o seu líder, Santiago Abascal, à frente, acompanhado por outros responsáveis do partido, como o eurodeputado Jorge Buxadé, atrás de uma faixa do partido que dizia “Expulsar Sánchez é também uma prioridade nacional”.Em declarações aos órgãos de comunicação social, Abascal afirmou que “Espanha está raptada por uma máfia corrupta que está a empobrecer” cidadãos e “a promover uma invasão migratória”. Para o líder do partido de extrema-direita, nesta situação, Sánchez “vai fazer tudo o que for necessário para adiar a convocatória das eleições” e “perpetuar-se no poder”, razão pela qual apela a este tipo de mobilização.Quando questionado sobre a defesa da “prioridade nacional”, Abascal recordou que falou muito sobre este tema ao longo da campanha. O termo diz respeito a um critério no acesso a serviços e apoios públicos, que discrimina estrangeiros, imposto pelo Vox em acordos com o PP para viabilizar governos em várias regiões autónomas. “Prefiro dizer hoje que a ‘prioridade nacional’ dos espanhóis é também a expulsão de Pedro Sánchez do poder”, sublinhou.

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