Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta contra propostas sobre uso de capacete

Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta contra propostas sobre uso de capacete

Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta contra propostas sobre uso de capacete

A Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta (MUBi) considerou este sábado que as propostas apresentadas pelo PSD para tornar obrigatório o uso de capacete e reflectores são desajustadas e defendeu que devem ser retiradas.Em comunicado, a MUBi explicou que as alterações representam uma “responsabilidade invertida”, uma vez que os utilizadores de bicicleta “são precisamente os que menos contribuem para o risco”, estando o PSD “a deslocar a responsabilidade do risco rodoviário dos condutores de veículos motorizados – que, ao contrário dos velocípedes e dos peões, podem circular a velocidades elevadas e possuem grande massa, tendo por isso um potencial destrutivo significativamente superior”.Na sexta-feira, o PSD apresentou um projecto-lei para, além de tornar obrigatório o uso de capacete e de equipamento reflector para todos os utilizadores de trotinetes e bicicletas eléctricas, aplicar multas entre 30 e 150 euros para os infractores, numa alteração ao Código da Estrada.


Para a MUBi, a adopção destas medidas tem três consequências directas: a redução do uso da bicicleta, o aumento da dependência do automóvel e um retrocesso em matérias ambientais e de saúde pública.Esta associação recomendou, lê-se no comunicado enviado às redacções, que seja adoptado um Código da Estrada que “privilegie a redução do risco de todos os utilizadores do espaço público, e em especial dos mais vulneráveis” e ainda que “estabeleça o limite padrão de 30 km/h em meio urbano, possibilitando a sinalização de excepções com limites superiores”.”A revisão do Código da Estrada não deve ser feita através de propostas avulsas que penalizam injustamente quem contribui para cidades mais saudáveis, seguras e sustentáveis”, acrescentou a MUBi, apelando ao PSD para que retire a proposta “e se associe a uma reflexão mais profunda sobre a reforma do Código da Estrada, anunciada pelo Senhor Ministro da Administração Interna, assente em evidência científica”.No projecto-lei entregue na sexta-feira, o PSD referiu que o aumento das bicicletas e das trotinetas tem “reflexo directo na sinistralidade” e citou dados recentes da GNR, segundo os quais, nos últimos sete anos, se registaram mais de 1900 acidentes envolvendo trotinetes eléctricas, dos quais resultaram dez vítimas mortais, 88 feridos graves e 1442 feridos ligeiros.”A lei portuguesa não estabelece hoje uma obrigação geral de uso de capacete para utilizadores de veículos de micromobilidade eléctrica equiparados a velocípedes, nos termos do artigo 112.º do Código da Estrada”, refere o diploma do PSD, dizendo que, quer para as autoridades quer para os utilizadores, é difícil perceber a fronteira actualmente definida. Ou seja, para os deputados do PSD, a consequência “é uma incerteza pouco compatível com regras simples de segurança rodoviária”.

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