Zelensky considera “injusta” proposta de adesão à UE como “membro associado”
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky afirmou, numa carta dirigida aos líderes da União Europeia (UE), que a proposta alemã de conceder à Ucrânia o estatuto de “membro associado” da União Europeia é “injusta”, uma vez que deixaria Kiev sem voz no seio do bloco.Friedrich Merz, o chanceler da Alemanha, sugeriu permitir que a Ucrânia participe nas reuniões do Conselho Europeu e do Conselho da UE sem direitos de voto, um passo intermédio no percurso até à adesão plena ao bloco. Segundo o líder do Governo alemão, a medida poderia ajudar a facilitar um acordo para pôr fim à guerra que já dura quatro anos, desencadeada pela invasão da Rússia.Em resposta, numa carta enviada na sexta-feira à noite a António Costa, presidente do Conselho Europeu, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e Nikos Christodoulides, Presidente de Chipre e responsável pela presidência rotativa do Conselho da UE, divulgada este sábado pela Reuters, Zelensky afirma que a destituição do primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán — um opositor firme da adesão da Ucrânia à UE —, na sequência das eleições do mês passado, criou uma oportunidade para se registarem progressos substanciais nas negociações de adesão.
De acordo com a proposta do chanceler alemão, que terá sido discutida com Volodymyr Zelensky aquando da presença do Presidente ucraniano na reunião informal de líderes europeus realizada no mês passado, em Chipre, a Ucrânia poderia participar, mas não votar, nas reuniões dos chefes de Estado ou de Governo e nas reuniões ministeriais; ter um representante, sem pasta, na Comissão Europeia; e ter membros associados no Parlamento Europeu.”Seria injusto que a Ucrânia estivesse presente na União Europeia, mas continuasse sem voz”, afirmou Zelensky na carta. “Chegou o momento de avançar com a adesão da Ucrânia de forma plena e significativa”.Zelensky agradeceu aos líderes europeus pelo apoio prestado durante a guerra e afirmou que a Ucrânia está a servir de baluarte contra a agressão russa para todo o bloco de 27 países.”Estamos a defender a Europa – totalmente, não parcialmente, e não com meias medidas”, afirmou. “A Ucrânia merece um tratamento justo e direitos iguais na Europa.”



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