Resíduos tóxicos no sul de Itália? Papa contra "interesses obscuros"
O pontífice chegou de helicóptero às 09h00 locais (08h00 em Portugal), para uma visita de poucas horas à região conhecida como “Terra dos Fogos”, onde a máfia lucrou com o enterramento e a queima de resíduos tóxicos, com prejuízo para a saúde dos habitantes.
À chegada, o Papa americano dirigiu-se à catedral para se reunir com o clero local e com algumas famílias vítimas da poluição ambiental.
Leão XIV, que reconheceu que esta viagem fazia parte dos planos do seu antecessor, Papa Francisco, afirmou no seu discurso que “o grito da Criação e dos pobres” foi ouvido de forma “mais dramática” nesta cidade italiana perto de Nápoles.
Uma terra que, disse o líder da Igreja Católica, foi prejudicada por “uma concentração mortal de interesses obscuros e indiferença pelo bem comum que envenenou o ambiente e a sociedade”.
“Vim, acima de tudo, para recolher as lágrimas daqueles que perderam entes queridos, vítimas da poluição causada por pessoas e organizações sem escrúpulos que, durante demasiado tempo, agiram impunemente”, afirmou.
Ainda esta manhã, Leão XIV terá um encontro numa praça de Acerra com as autoridades civis e os fiéis e proferirá um segundo discurso, antes de regressar ao Vaticano.
Na catedral, foi recebido pelo bispo de Acerra, Antonio Di Donna, que descreveu a situação que se vive na “Terra dos Fogos”, explicando ao Papa que o “drama ambiental” começou na década de 1980, quando os industriais do rico norte italiano precisavam de se livrar de grandes quantidades de resíduos tóxicos.
“Ao longo de cerca de 30 anos, chegaram de muitas indústrias do norte centenas de milhares de toneladas de resíduos tóxicos que foram despejados numa parte deste território. Isto garantiu grandes poupanças aos industriais corruptos e enormes lucros ao crime organizado”, afirmou o bispo.
A poluição, lamentou, causou “doenças e mortes prematuras, especialmente entre adolescentes e jovens”, e afirmou que existe uma relação entre este problema e os tumores de que sofre uma parte da população.
“Nos últimos 30 anos, só em Acerra morreram cerca de 150 adolescentes e jovens, sem contar com os adultos nem com as vítimas de outras zonas do território. Aqui presentes, diante de vós, encontram-se alguns pais de jovens falecidos e daqueles que se encontram atualmente em tratamento. Eles viveram uma verdadeira Via Sacra. Muitos ainda não conseguiram superar o luto”, sublinhou Antonio Di Donna.
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