Justiça turca afasta liderança do principal partido de oposição
A medida representa um rude golpe para o Partido Republicano do Povo (CHP), que enfrenta há um ano e meio processos judiciais contra vários dos seus dirigentes e políticos eleitos.
Um tribunal de recurso da capital turca declarou nulo o congresso do CHP que elegeu Ozgur Ozel como presidente, ordenando que fosse substituído pelo seu antecessor, Kemal Kilicdaroglu.
No ano passado, um tribunal de primeira instância tinha rejeitado as alegações de irregularidades e má conduta a respeito da eleição de Ozel, mas a decisão de hoje anulou a sentença anterior.
A decisão levou a reuniões frenéticas na sede do CHP em Ancara, ameaçando ainda mais as hipóteses da oposição de destituir o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, após mais de duas décadas no poder.
Grandes multidões reuniram-se hoje do lado de fora do edifício de escritórios e a polícia ergueu barreiras no local.
A próxima eleição presidencial está prevista para 2028, mas Erdogan pode convocar uma votação antecipada.
O seu principal adversário, o presidente da Câmara de Istambul, Ekrem Imamoglu, eleito pelo CHP, está preso desde março do ano passado e começou a ser julgado por corrupção.
A decisão do tribunal de recurso suspende Ozel e os membros do conselho executivo do partido das suas funções, que serão substituídos provisoriamente por Kilicdaroglu e por aqueles que ocupavam os cargos antes do congresso de novembro de 2023.
Em declarações à estação TV100, Kilicdaroglu pediu aos membros do partido que mantivessem a calma.
“O nosso partido é muito grande e resolverá os seus próprios problemas internamente”, comentou.
O político de 77 anos foi destituído após um mandato de 13 anos como líder, período durante o qual o CHP não conseguiu vencer nenhuma eleição nacional.
Pelo seu lado, Ozel tentou mobilizar os seus apoiantes após a decisão da justiça turca.
“Não vos estou a prometer um caminho para o poder através de um jardim de rosas”, escreveu numa mensagem na rede X, na qual acrescentou que agirá com “honra, dignidade, coragem e luta”.
Espera-se que a liderança do partido conteste a decisão de hoje no Supremo Tribunal nos próximos dias.
O ministro da Justiça, Akin Gurlek, que supervisionou vários processos contra o CHP na sua antiga função de procurador-chefe em Istambul, descreveu a decisão do tribunal como uma ação que “reforça a confiança dos cidadãos na democracia”.
Vários observadores consideram que os processos judiciais contra o CHP – centrados sobretudo em alegações de corrupção – têm motivações políticas e visam neutralizar o partido antes da próxima eleição.
O Governo, no entanto, insiste que os tribunais da Turquia são imparciais e atuam independentemente da pressão política.
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