Suíça lança “iniciativa abelhas” para incluir a polinização na Constituição

Suíça lança “iniciativa abelhas” para incluir a polinização na Constituição

Suíça lança “iniciativa abelhas” para incluir a polinização na Constituição

Organizações ambientais e grupos parlamentares na Suíça lançaram uma iniciativa popular para incluir as abelhas na Constituição federal, num momento em que se regista um declínio global das populações de polinizadores. A “iniciativa abelhas”, lançada na terça-feira, precisa de reunir 100 mil assinaturas em 18 meses para forçar a realização de um referendo, seguindo o procedimento habitual num país onde este tipo de consultas ocorre regularmente.O texto constitucional proposto não define medidas concretas, mas fixa responsabilidades. De acordo com a cadeia de notícias helvética Swissinfo, a iniciativa popular exige que o governo federal e os cantões “assegurem a polinização de plantas cultivadas e selvagens por insectos” e que “mobilizem os recursos necessários” para esse fim, prevendo ainda a definição de orientações.Num comunicado do partido Os Verdes, os proponentes afirmam que cabe à Confederação legislar para favorecer as populações de polinizadores selvagens, a sua diversidade e a preservação “a longo prazo”, com apoio aos cantões, comunas e sectores económicos. A justificação apresentada é dupla: alimentar e ecológica. “As abelhas e outros insectos polinizadores estão na base da nossa alimentação”, lê-se na nota de imprensa. “Cerca de 84% das plantas cultivadas na Europa dependem da polinização — devemos uma boca em três às abelhas e outros polinizadores.”Para a agricultura suíça, segundo o documento, o valor do serviço ecológico de polinização é estimado em 479 milhões de francos por ano (cerca de 525 milhões de euros​). O declínio dos insectos não teria apenas impacto nas colheitas: implicaria perda de “prados floridos e paisagens ricas em espécies”, de ecossistemas que sequestram carbono e de fontes de alimento para aves, peixes, morcegos e ouriços, colocando em risco “cadeias alimentares inteiras”.“Quase metade” das cerca de 600 espécies de abelhas selvagens na Suíça está ameaçada e 59 espécies são consideradas extintas, refere o comunicado, que acrescenta que “a biomassa dos insectos diminuiu de mais de três quartos ao longo dos últimos 30 anos”. Também as abelhas melíferas enfrentam pressões, “doenças, parasitas e espécies invasoras como a vespa asiática”, com o agravamento adicional das alterações climáticas.Os promotores da “iniciativa abelhas” argumentam que a preocupação pública já se fez notar: desde 2013, “cinco moções foram adoptadas”, quatro delas “por unanimidade”, e duas petições em defesa dos polinizadores reuniram 80 mil e 165 mil assinaturas. Ainda assim, acusam o Conselho Federal suíço de inércia e insuficiência.A aliança que sustenta a proposta é apresentada como transversal e “politicamente independente”. Além do partido Os Verdes, o comité inclui representantes de diferentes campos partidários (dos liberais do PLR ao Partido do Centro), bem como pessoas ligadas à ciência e à sociedade civil — é o caso da entomologista Yves Gonseth e de diferentes associações de apicultura, por exemplo. Segundo o jornal Le Temps, os agricultores não estão representados no grupo.O comité afirma ter optado, “por unanimidade”, por não comprar assinaturas a empresas comerciais especializadas na recolha de subscrições. As 100 mil assinaturas deverão ser obtidas “pelos nossos próprios meios”, referem.

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