Mundial 2026: os sete “magníficos” que não vão a Palm Beach
Roberto Martínez garante que “ninguém ficou de fora” da convocatória para o Mundial 2026. O espanhol, sempre fértil em amabilidades, encontrou, assim, uma nova forma simpática de massajar o ego a quem não vai poder viver o Mundial no Four Seasons Palm Beach, base da selecção em Miami. E disse que ligou a sete deles a informar de que iriam ver o Mundial no sofá.Mas houve, em rigor, gente que ficou de fora e que não vai estagiar nas praias da Florida em Junho e Julho: todos os cidadãos portugueses cujos nomes não foram ditos naquela lista de 27, mas sete em particular.O cidadão nacional que provavelmente mais esperava lá estar era António Silva. O central do Benfica esteve no Euro 2024, tem sido presença assídua nas listas de Martínez e, até pela forma como o espanhol costuma montar o plantel, o mais lógico seria que o jogador do Benfica estivesse na pole position.
José Mourinho terá acabado por desempenhar um papel nesta escolha, já que os minutos dados a Tomás Araújo permitiram ao central impressionar Martínez. António Silva terá perdido o avião pelo menor pedigree a nível técnico e pela menor velocidade em relação ao colega de equipa – Martínez leva assim dois centrais mais físicos, Dias e Veiga, e dois mais técnicos, Inácio e Araújo.Outro que também teria esperança de viajar era João Palhinha. O médio do Tottenham não teve a temporada mais fulgurante da carreira, mas o estatuto na equipa poderia sugerir que teria o “seu” lugar como médio mais físico.O problema é que no estágio de Março houve um outro cidadão português que impressionou o treinador espanhol. Samu Costa foi titular nos dois jogos particulares na América e logo aí ficou mais ou menos claro que poderia ser chamado ao Mundial. Martínez elogiou a chegada à área de Samu, algo que o jogador fez um par de vezes naqueles jogos de Março – e que Palhinha, em geral, não oferece.Mais à frente, Pedro Gonçalves já tinha dados suficientes para saber que dificilmente Martínez lhe daria uma cama em Palm Beach – e o mesmo serve para Rodrigo Mora.Mas Ricardo Horta esperava, provavelmente, apreço distinto. O jogador do Sporting de Braga partia na melhor posição para ser o criativo capaz de jogar entre linhas e com poder de definição e finalização superior aos demais. E haveria, em tese, um lugar para alguém com esse perfil. Certo? Errado. Martínez não teve de escolher entre Pote e Horta porque não levou nenhum deles.
A ideia de ter um quinto lateral (Semedo) seduziu o seleccionador a abdicar do tal criativo e fazer Horta perder o avião. E também não fez questão de levar mais um médio – Mateus Fernandes –, contando que Matheus Nunes poderá fazer o antigo papel de Renato Sanches como médio de transporte.Na frente, só tinha dúvidas quem não tem ouvido Martínez falar. O seleccionador já tinha dito que queria um terceiro avançado. Já tinha dito que queria um jogador para fazer o papel de Diogo Jota. Já tinha dito que Paulinho é parecido com Ronaldo e Ramos. Já tinha dito que Guedes é muito móvel e dinâmico. E não fala de André Silva há meses. Nesse sentido, era relativamente fácil prever que Paulinho ia assistir ao Mundial nos seus aposentos mexicanos.O jogador do Toluca tem marcado golos no campeonato mexicano, mas o perfil semelhante ao Ronaldo e Ramos – na visão de Martínez – vedou-lhe o lugar nos 26 convocados.



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