Pedro Duarte ameaça reduzir o PS a quatro vereadores no Porto
O “namoro” prolonga-se há meses e poderá estar em vias de se concretizar. O presidente da Câmara do Porto pretende alargar o executivo, entregando um pelouro a Francisca Carneiro Fernandes, candidata independente eleita nas listas do PS.O PÚBLICO apurou que aquela eleita estará a ponderar assumir uma pasta que lhe dará, entre outras competências, a gestão do Mercado do Bolhão, função que já teve no executivo de Rui Moreira por ser administradora da GO Porto. O pacote poderá incluir ainda a gestão das feiras e mercados da cidade e, admite-se, a animação sociocomunitária. Recorde-se que na proposta de alteração da estrutura orgânica do município, votada em Março, foi extinto o Departamento Municipal de Actividades Económicas, do qual faziam parte precisamente o gabinete de feiras e mercados (e ainda o gabinete da movida).A ainda vereadora independente negou ao PÚBLICO, por escrito, a existência de um acordo com a maioria camarária, não adiantando nada sobre eventuais conversações. Manuel Pizarro diz, também por escrito, que “o diálogo que existe entre a maioria municipal e o PS, tal como com outras forças, decorre da relação democrática nos órgãos autárquicos”, mas nega que se tenha debatido “a assunção de pelouros por parte dos vereadores eleitos na lista do PS”. O Gabinete de Comunicação da Câmara do Porto “não comenta”.As conversações de Francisca Carneiro Fernandes com Pedro Duarte terão começado há vários meses e precipitado, nas últimas semanas, um diálogo mais abrangente: ao que o PÚBLICO apurou, em cima da mesa esteve a hipótese de um acordo entre a coligação que lidera a autarquia (PSD-CDS-IL) e o PS, mas as conversações saíram frustradas.A saída de Francisca Carneiro Fernandes da bancada socialista esteve prevista para Abril, tendo mesmo sido preparada uma proposta de reformulação do executivo. O processo, porém, vem-se arrastando enquanto se procura o modelo ideal para a transição.A concretizar-se esta saída, o PS ficará reduzido a apenas quatro dos seis vereadores eleitos em Outubro: além de Manuel Pizarro, continuam Fernando Paulo, Jorge Garcia Pereira e Marta Sá Lemos. Logo em Novembro de 2025, Jorge Sobrado foi nomeado vereador da Cultura na equipa de Pedro Duarte, pasta que o presidente tinha dito querer assumir durante a campanha eleitoral, mas que, ao entregar ao independente, lhe garantia uma maioria no executivo. A “decisão errada” de Sobrado, nas palavras de Manuel Pizarro, abriu um debate interno no partido socialista sobre a existência de demasiados “independentes”, em particular na lista que se candidatou à Câmara do Porto, na qual se destacavam várias figuras da sociedade civil e perfis suprapartidários.Francisca Carneiro Fernandes apresentou-se, também, como independente. A então administradora da GO Porto, empresa municipal que gere as obras públicas na cidade e o Mercado do Bolhão, aparecia em terceiro lugar da lista de Manuel Pizarro, logo depois de Fernando Paulo, também independente saído do executivo de Rui Moreira.Logo após tomada de posse, a jurista e gestora, que já foi presidente do Teatro Nacional de São João e presidente do Conselho de Administração do Centro Cultural de Belém, suspendeu o mandato. No início do ano, após a não recondução na GO Porto, voltou à vereação.O “empate” no número de vereadores – seis do PS e seis da sua coligação – colocava a Pedro Duarte o dilema de como gerir o executivo. O social-democrata manteve a promessa eleitoral de não se coligar com o Chega, que elegeu um vereador, mas fez convites aos vereadores independentes eleitos pelo PS: além de Sobrado, houve, desde o início, contactos com Fernando Paulo e mesmo com Francisca Carneiro Fernandes.Com esta mudança, o presidente da Câmara do Porto fica com oito vereadores, diminuindo até a dependência dos eleitos da Iniciativa Liberal. Na Assembleia Municipal, na qual não tem maioria, as três forças políticas da coligação vencedora decidiram integrar grupos municipais autónomos.



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