Magyar procura normalizar relações com Polónia na 1.ª visita oficial
“Estou muito satisfeito por as relações húngaro-polacas estarem a recuperar o lugar que merecem”, declarou Magyar em Cracóvia, no sul da Polónia, a primeira paragem da sua visita de dois dias, que o levará também à capital, Varsóvia, e a Gdansk, no norte do país.
As relações entre os dois países eram tensas desde as eleições legislativas na Polónia em 2023, que resultaram na formação de um governo de coligação liberal e pró-europeu liderado por Donald Tusk, um dos aliados mais próximos de Kiev.
Este executivo sucedeu a oito anos de governação do partido nacionalista e ultraconservador Lei e Justiça (PiS), que, à semelhança do que vinha acontecendo com a Hungria liderada por Orbán, mantinha um conflito aberto com Bruxelas por restrições ao Estado de Direito.
Péter Magyar derrubou por sua vez 16 anos do Governo nacionalista de Viktor Orbán, que, nos seus últimos anos, foi também marcado pela sua proximidade com Moscovo e vetos sucessivos à política europeia de apoio à Ucrânia face à invasão russa.
Durante um encontro com a imprensa após visitar a catedral de Cracóvia, Magyar manifestou o desejo de que as relações com a Polónia regressem “à normalidade a todos os níveis”, não só na esfera política, mas também dos domínios cultural e comercial, e na recuperação da “aliança estratégica que historicamente uniu ambas as nações”.
O novo primeiro-ministro húngaro disse também esperar que as relações com os países vizinhos possam regressar “ao alto nível que já tiveram” e reativar o Grupo de Visegrado (Eslováquia, República Checa, Hungria e Polónia), igualmente conhecido como V4, que praticamente deixou de funcionar desde 2022 devido às divergências entre os seus membros.
“A nossa localização predestina-nos à cooperação, no Grupo de Visegrado. Lembro-me da cooperação dos anos 2010. Vamos voltar a isso. O nosso objetivo é que o V4 se expanda, com países como a Áustria e outros. Temos muito mais em comum do que aquilo que nos separa”, sustentou.
Magyar reafirmou ainda o seu compromisso com o bloco europeu, ao declarar que “a Hungria não pode continuar a ser um país de trânsito entre o Ocidente e o Oriente” e assinalando que esta visita constitui “uma retoma diplomática abrangente e muito necessária”.
Além das fortes divergências sobre o apoio à Ucrânia, as relações bilaterais com Varsóvia ficaram praticamente congeladas também devido ao asilo concedido a membros do anterior Governo polaco, que se encontram fugidos da justiça.
Hoje, Magyar negou que o antigo ministro da Justiça polaco Zbigniew Ziobro, em fuga do seu país, tenha viajado para os Estados Unidos em 10 de abril a partir da Hungria, onde tinha recebido asilo do anterior executivo de Orbán.
“Não há indícios de que tenha saído da UE pela Hungria, nem de qualquer outro país do Espaço Schengen”, afirmou o novo líder húngaro, em declarações transmitidas pelo canal oficial do seu gabinete.
Magyar indicou porém que Ziobro “poderá ter abandonado o país logo após as eleições” de 12 de abril, nas quais Orbán sofreu a sua primeira derrota após 16 anos de maioria absoluta.
O antigo governante polaco é acusado de chefiar uma organização criminosa e de desviar fundos públicos, tendo recebido asilo na Hungria no final de 2025, quando se instalou em Budapeste.
Desde que o seu passaporte foi revogado, em dezembro do mesmo ano, as autoridades polacas suspeitam que tenha utilizado um “passaporte de Genebra” (documento de refugiado) emitido pela Hungria para obter um visto norte-americano.
No dia passado dia 12, o Governo polaco solicitou explicações à embaixada norte-americana em Varsóvia sobre a “base legal que permitiu a entrada de Ziobro” nos Estados Unidos.
O executivo da Polónia descreveu também como “inaceitável” e “hostil” o facto de as autoridades húngaras não só terem ignorado o mandado de captura europeu contra Ziobro, como também lhe terem concedido asilo político.
A agenda do primeiro-ministro húngaro prossegue na quarta-feira com uma viagem para Varsóvia num comboio de alta velocidade que Viktor Orbán criticou, dizendo que foi pago “com dinheiro da malvada Bruxelas”.
Na capital polaca, tem encontros previstos com o seu homólogo, Donald Tusk, e também com o Presidente da Polónia, o ultraconservador Karol Nawrocki, eleito no verão do ano passado com apoio do PiS, e que, nos últimos dias da campanha eleitoral húngara, se deslocou a Budapeste para apoiar Orbán.
Depois, Magyar avista-se em Gdansk com o Prémio Nobel da Paz Lech Walesa, um dos arquitetos do colapso do comunismo na década de 1980.
Durante esta primeira viagem oficial, o novo chefe do Governo está acompanhado por seis ministros, incluindo a chefe da diplomacia de Budapeste, Anita Orbán, que, apesar do apelido, não tem qualquer relação familiar com o anterior líder húngaro.
Na segunda-feira, a nova ministra anunciou a chamada do embaixador em Varsóvia, afirmando que as relações com a Polónia “estão a entrar numa nova fase” e que será substituído por um diplomata que reflita “a nova direção” da política externa da Hungria.
Depois da Polónia, Peter Magyar seguirá na quarta-feira à noite para a Áustria, a segunda paragem desta primeira viagem oficial ao estrangeiro, e onde se espera que as discussões com Viena sejam centradas na cooperação económica e na política migratória.
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