O filme sobre Bolsonaro pode reeleger Lula no primeiro turno

O filme sobre Bolsonaro pode reeleger Lula no primeiro turno

O filme sobre Bolsonaro pode reeleger Lula no primeiro turno

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Os planos da família Bolsonaro estavam bem definidos. Com o patriarca, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão familiar, o filho 01, o senador Flávio Bolsonaro, foi o escolhido para disputar as eleições presidenciais deste ano e tentar levar o clã de volta do poder. De início desacreditado, o 01 ganhou musculatura com o apoio do empresariado e do mercado financeiro, a ponto de ultrapassar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tenta a reeleição, nas pesquisas de intenção de voto. Havia gente da família certa do “já ganhou”.Um filme de terror, no entanto, abateu Flávio Bolsonaro em pleno voo. Um áudio, divulgado pelo Intercept Brasil, no qual o senador pede dinheiro ao “irmão” Daniel Vorcaro, que liderou o maior golpe financeiro no Brasil por meio do Banco Master, fez derreter parte do desejo dos eleitores de entregar o comando do país a um representante declarado da extrema-direita. E é só o começo, dizem especialistas, que não descartam a possibilidade de Lula vencer a disputa no primeiro turno.Logo na primeira pesquisa de intenções de votos depois do áudio de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro para “concluir” as gravações do filme Dark Horse (O Azarão), que retrata o pai como um herói injustiçado, o candidato do PL desabou cinco pontos percentuais no primeiro turno e seis, no segundo. Pelo levantamento da Atlas Bloomberg, o filho 01 de Bolsonaro caiu de 39,7% para 34,3%, na disputa em primeiro turno, e de 47,8% para 41,8%, no segundo.Ao mesmo tempo, Lula passou de 46,6% para 47% no primeiro turno e de 47,5% para 48,9%, no segundo. O petista, que tentará o quarto mandato, venceria ainda, com ampla vantagem, todos os outros candidatos testados na pesquisa da Atlas Bloomberg: Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Romeu Zema. Já Flávio Bolsonaro, além de ser derrotado por Lula, agora perderia, em eventuais disputas, para o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad e para o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. Até a divulgação do áudio, a vitória seria do senador.Depois de ser desmentido de forma sistemática, a começar pelo discurso de que “não conhecia Vorcaro”, que o “Master era do Lula”, que era “contra a corrupção”, Flávio Bolsonaro optou por um silêncio ensurdecedor. Até agora, ele não explicou onde foram parar os 61 milhões de reais recebidos do Master — a negociação com o banco envolvia a liberação de 134 milhões de reais (22,3 milhões de euros) para o filme Dark Horse. E a suspeita da Polícia Federal é de que parte dessa montanha de dinheiro estaria bancando o filho 03, Eduardo Bolsonaro, nos Estado Unidos.A Polícia Federal diz, também, que os 134 milhões de reais negociados entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro correspondem a 11% dos cerca de 1,2 bilhão de reais (200 milhões de euros) que o Governo do Rio de Janeiro, ainda sob o comando de Cláudio Castro, enterrou no Master. O repasse para o senador “seria uma compensação pelo fato de o governador aliado” ter usado dinheiro da aposentaria de servidores para engordar o caixa da instituição de Vorcaro. E mais: agora se sabe que o filho 01 de Bolsonaro visitou o então dono do Master um dia depois da prisão dele.Com tantas perguntas sem respostas e as novas revelações que podem surgir, Flávio Bolsonaro terá de mostrar muita resiliência para se manter na disputa presidencial no Brasil. Ele aposta que, com o início da Copa do Mundo, quando os brasileiros ficam inebriados pelo futebol, a fogueira vai baixar e ele será capaz de retomar o fôlego. Sua aposta é a de que o eleitorado fiel de seu pai — aproximadamente 30% dos que votam — se manterá com ele. O senador conta também com a grande rejeição a Lula junto aos grupos mais conservadores.Contudo, nada indica que o noticiário político vá esfriar durante da Copa, sobretudo porque ainda há muito a ser revelado sobre os laços da família Bolsonaro com o Banco Master. Os apoiadores de Lula viram nesse caso o instrumento que faltava para virar o jogo nas eleições. O governo, inclusive, não vê disposição da direita tradicional de abraçar a candidatura de Flávio Bolsonaro diante no lamaçal no qual ele está mergulhado. Mas, como faltam cinco meses para as eleições, um tempo gigante em se tratando de política, o incerto ainda dá as cartas.
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