Médio Oriente: 400 ativistas de flotilha detidos e a caminho de Israel
A flotilha com 54 embarcações, que incluía navios da flotilha Global Sumud (GSF), da Freedom Flotilla Coalition e de várias outras organizações da Turquia, Malásia e Indonésia, foi intercetada na manhã de segunda-feira em águas internacionais perto do Chipre, a aproximadamente 250 milhas náuticas de Gaza.
Em um comunicado, a Freedom Flotilla indicou que “mais de 400 participantes civis desarmados de 45 países foram sequestrados em águas internacionais pelas forças militares israelitas”, embora não tenham fornecido números discriminados por nacionalidade.
Segundo a organização, “o navio cargueiro ‘prisão’, para onde foram levados os capitães, a tripulação e os participantes da flotilha após a interceção, está a navegar lentamente em direção ao porto de Ashdod, em Israel, onde os participantes da flotilha têm sido habitualmente identificados pelo Governo israelita”.
A previsão é que o navio atraque hoje no porto israelita.
Entretanto, a Freedom Flotilla Coalition informou que dez navios, incluindo um fretado pela organização, o ‘Lina’, ainda navegavam em direção a Gaza com aproximadamente 70 pessoas a bordo, “numa tentativa de romper o bloqueio naval ilegal de Israel a Gaza”.
Em relação aos navios intercetados, denunciaram que “foram deliberadamente danificados pelo Exército israelita e deixados à deriva, representando um perigo para a navegação internacional e constituindo mais uma violação do direito internacional por parte do Governo israelita”.
O Governo israelita ainda não divulgou números oficiais sobre o número de detidos ou para onde estão a ser levados.
No final de abril, as forças israelitas detiveram 175 pessoas a bordo de cerca de vinte embarcações da Flotilha Global Sumud em águas internacionais ao largo da costa da Grécia. Dois dos ativistas, o hispano-palestiniano Saif Abukeshek e o brasileiro Thiago Ávila, foram detidos e levados para uma prisão israelita, embora tenham sido libertados uma semana depois e deportados, enquanto os restantes foram libertados e desembarcados em solo grego.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, elogiou na segunda-feira o “trabalho excecional” da Marinha na interceção de embarcações cujo objetivo era quebrar o isolamento dos “terroristas do Hamas”.
“Estão a fazê-lo com grande sucesso e devo dizer também com discrição e, sem dúvida, com menos repercussões do que os nossos inimigos esperavam”, afirmou Netanyahu.
O Governo português convocou na segunda-feira o embaixador israelita em Lisboa para protestar contra a detenção, “em violação do direito internacional”, de dois médicos portugueses que integravam a flotilha Global Sumud, disse à Lusa o ministro do Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
A Ordem dos Médicos indicou que foi esta tarde informada da detenção dos médicos portugueses Beatriz Bartilotti e Gonçalo Dias, “após a interceção da embarcação em que seguiam [o navio “Tenaz”], em águas internacionais”, um caso que disse acompanhar “com bastante preocupação”.
Rangel adiantou que o Governo está a acompanhar a situação através da embaixada em Telavive e dos serviços consulares.
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