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Espanha, Brasil e mais 8 países condenam abordagem a flotilha de Gaza

Espanha, Brasil e mais 8 países condenam abordagem a flotilha de Gaza

Espanha, Brasil e mais 8 países condenam abordagem a flotilha de Gaza


A organização Global Sumud acusou hoje as forças israelitas de intercetarem junto à costa de Chipre parte da nova “flotilha de Gaza”, de cerca de 50 embarcações, que partiu da Turquia na semana passada.

Esta é a terceira tentativa num ano de uma flotilha chegar à Faixa de Gaza, devastada pelo conflito iniciado em outubro de 2023 com a invasão israelita, após o ataque sem precedentes do Hamas contra Israel.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, confirmou a interceção das embarcações, denunciando um plano “mal-intencionado”.
Numa declaração conjunta, Espanha, Turquia, Bangladesh, Brasil, Colômbia, Indonésia, Jordânia, Líbia, Maldivas e Paquistão condenaram “os atos hostis dirigidos contra embarcações civis e ativistas humanitários” e exigiram “a libertação imediata” destes e o pleno respeito “pelos seus direitos e pela sua dignidade”.
Reiteraram ainda que os ataques às embarcações e a detenção arbitrária de ativistas “constituem violações flagrantes do direito internacional e do direito internacional humanitário”.
“Os ministros sublinham ainda que os repetidos ataques contra iniciativas humanitárias pacíficas refletem um persistente desrespeito pelo direito internacional e pela liberdade de navegação” e apelaram à comunidade internacional para que “assuma as suas responsabilidades legais e morais”, garanta a proteção da população civil e das missões humanitárias e adote medidas “para acabar com a impunidade”, refere a declaração.
Numa mensagem na rede social X, a Global Sumud afirmou que embarcações militares intercetaram a flotilha de forma “ilegal e violenta” e que as forças israelitas abordaram as embarcações “sequestrando os voluntários”, exigindo “a libertação imediata dos ativistas e o fim do bloqueio a Gaza”.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Israel acusa o movimento islamita Hamas, que considera terrorista, de envolvimento direto na Global Sumud e financiamento das flotilhas, com base em documentos alegadamente encontrados em Gaza durante a invasão do enclave palestiniano.   
A organização nega, alegando que o seu financiamento provém de donativos de privados.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita já havia avisado que não permitiria “qualquer violação do bloqueio naval legal imposto a Gaza”.
 Afirmou ainda que “dois grupos violentos turcos — Mavi Marmara e IHH, este último designado como organização terrorista — estão a participar” na flotilha, que considera uma “provocação”.
Israel rejeita as críticas de que tem impedido a ajuda humanitária a Gaza, enclave que controla em grande parte.  
“A Faixa de Gaza está inundada de ajuda. Só desde outubro, mais de 1,58 milhões de toneladas de ajuda humanitária e milhares de toneladas de material médico entraram em Gaza”, afirmou o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Telavive.
Israel já tinha intercetado uma flotilha anterior em águas internacionais ao largo da costa da Grécia a 30 de abril, libertando rapidamente a maioria dos ativistas em Creta, mas mantendo detidos dois deles  durante vários dias, antes de serem deportados.
As ONG denunciaram as detenções como ilegais, alegando que os dois homens foram sujeitos a maus-tratos durante a sua detenção em Israel, que negou estas alegações.
O Governo português convocou hoje o embaixador israelita em Lisboa para protestar contra a detenção, “em violação do direito internacional”, de dois médicos portugueses que integravam a flotilha Global Sumud, disse à Lusa o ministro do Negócios Estrangeiros.      
“Uma vez que esta ação de Israel, tal como a anterior de há umas semanas, foi feita em águas internacionais e, portanto, em violação do direito internacional, e dado que nós queremos garantir um tratamento de respeito absoluto pela integridade e pelos direitos fundamentais dos cidadãos em causa, convocámos hoje mesmo para o ministério o embaixador de Israel para fazermos o nosso protesto e para exigirmos esse tratamento e a reposição da legalidade internacional assim que possível”, afirmou Paulo Rangel, que falava à Lusa à margem de um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros jordano, Ayman Safadi, no Palácio das Necessidades.  
A Ordem dos Médicos indicou que foi esta tarde informada da detenção dos médicos portugueses Beatriz Bartilotti e Gonçalo Dias, “após a interceção da embarcação em que seguiam [o navio “Tenaz”], em águas internacionais”, um caso que disse acompanhar “com bastante preocupação”.
Rangel adiantou que o Governo está a acompanhar a situação através da embaixada em Telavive e dos serviços consulares.   
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