Filas no Aeroporto de Lisboa? Dá "tempo de aprender português"

Filas no Aeroporto de Lisboa? Dá "tempo de aprender português"

Filas no Aeroporto de Lisboa? Dá "tempo de aprender português"


A Ryanair voltou à carga, deixando uma crítica em forma de sátira ao controlo fronteiriço no Aeroporto de Lisboa, que está a deixar os passageiros que chegam a Portugal em longas filas durante horas.

Numa publicação partilhada na sexta-feira, a companhia aérea irlandesa apresentou um “Quiz de Trivia do Aeroporto de Lisboa” onde identificou as páginas de Instagram do Governo e do Ministério das Infraestruturas.
Logo no primeiro slide do questionário Ryanair pergunta: “Quanto tempo demora a passar o controlo fronteiriço em Lisboa?” Por baixo, deixa as hipóteses: “A) Demasiado tempo; B) O dobro do que demora o voo; C) Tempo suficiente para aprender português”.
De seguida, atira: “Qual é mais lento? A) Tartaruga; B) Caracol; C) A fila do controlo fronteiriço de Lisboa”.
Por último, põe ainda a questão sobre “O que é preciso para passar pelo controlo fronteiriço em Lisboa”. “A) O seu passaporte; B) O seu passaporte e muita paciência; C) O seu passaporte, comida, o telemóvel carregado e a agenda vazia para o resto do dia”.
Terminada a brincadeira, a companhia aérea low-cost aponta que o controlo da fronteira no Aeroporto de Lisboa demora cerca de duas horas e meia, e volta a apelar a que o Governo suspenda o novo sistema de controlo até “o fim da época de verão” e que “assegure pessoal suficiente na fronteira de Lisboa e em todos os aeroportos portugueses”.

As críticas da Ryanair já não são novidade e, aliás, têm-se vindo a repetir ao longo das últimas semanas. Recentemente fez uma publicação, aparentemente com recurso a Inteligência Artificial (IA), onde um passageiro fica vários anos mais velho depois de passar pelo controlo do aeroporto.
Segundo a Ryanair, os tempos de espera no controlo de passaportes já ultrapassam uma a duas horas nos aeroportos de Faro, Funchal e Porto, devido à falta de pessoal e a falhas nos sistemas, tendo alguns passageiros perdido voos.
A transportadora compara a situação com a de outros países europeus, referindo o caso da Grécia, onde, segundo a companhia, o Governo suspendeu a aplicação do novo sistema até setembro para gerir as filas durante o período de maior tráfego no verão.
Montenegro admite suspender novo sistema de controlo
Esta segunda-feira, o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, garantiu que o Governo “está a fazer todos os esforços, junto da Comissão [Europeia] mas também internos, para resolver” as longas filas de espera nos aeroportos nacionais, acrescentando que estão a ser concluídas obras no de Lisboa “no sentido de alargar a zona de chegadas”.
“É nisso que estamos a trabalhar e nós acreditamos que nas próximas semanas, no próximo mês, podemos ter melhor qualidade de serviço”, vincou.
Miguel Pinto Luz reconheceu que o sistema de entradas e saídas (EES) “tem problemas reais que estão a colocar constrangimentos” nos aeroportos e a pôr em causa a “imagem internacional de Portugal”.
O primeiro-ministro também abordou o assunto hoje, mostrando-se insatisfeito com a atuação dos serviços de controlo de fronteiras e admitiu suspender a recolha de dados biométricos, caso a situação se prolongue.
“Eu não escondo que estamos [Governo] insatisfeitos com aquilo que tem sido a resposta dada por parte dos serviços de fronteira nos aeroportos, em particular, no de Lisboa. Vamos levar este esforço até ao fim até ao limite para podermos ultrapassar a situação”, afirmou Luís Montenegro.
Num comunicado enviado às redações no domingo, a Polícia de Segurança Pública afirmou que o tempo máximo de espera nesse dia, “nunca foi superior a 100 minutos em Faro, 110 minutos em Lisboa e 130 minutos no Porto”. A autoridade justificou os com razões técnicas e informáticas e com “elevada dimensão de passageiros fora do Espaço Schengen”.

O ministro das Infraestruturas e Habitação afirmou hoje, em Coimbra, que haverá melhorias no serviço do aeroporto de Lisboa no próximo mês, com a conclusão das obras de alargamento da zona de chegadas.
 Lusa | 18:46 – 18/05/2026

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