Humanos adaptaram a mobilidade no paleolítico para sobreviver a sismos

Humanos adaptaram a mobilidade no paleolítico para sobreviver a sismos

Humanos adaptaram a mobilidade no paleolítico para sobreviver a sismos


A investigação demonstrou que os grupos de caçadores-recolectores que habitavam o sítio arqueológico de Vale Boi, em Vila do Bispo, distrito de Faro, entre há 30.000 e 24.000 anos, já tinham desenvolvido estratégias complexas para lidar com atividades sísmicas extremas.

O estudo, publicado na revista ‘Ciências Arqueológicas e Antropológicas’ e liderado por Alvise Barbieri, investigador do Centro Interdisciplinar de Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano da Universidade do Algarve, e Javier Sánchez Martínez, investigador do Instituto Catalão de Paleoecologia Humana e Evolução Social (IPHES-CERCA), fornece algumas das primeiras evidências conhecidas de resiliência nas sociedades paleolíticas face aos riscos geológicos.
 A investigação centra-se no sítio de Vale Boi, uma localização situada numa zona tectonicamente ativa do sul da Península Ibérica, noticiou na sexta-feira a agência Efe.
Para reconstruir o impacto dos sismos neste povoado costeiro, os investigadores combinaram dados arqueológicos, geológicos e cronológicos com técnicas de ponta, como a tomografia de resistividade elétrica.
As análises identificaram falhas e eventos de queda de rochas causados por sismos de magnitude superior a 5,7, que alteraram repetidamente a paisagem e afetaram as áreas ocupadas por grupos humanos do Paleolítico Superior.
Ao contrário de outros contextos pré-históricos onde grandes catástrofes naturais levaram a longos períodos de abandono, as comunidades de Vale Boi continuaram a ocupar esta área, adaptando a sua mobilidade, uso do solo e as suas redes sociais para reduzir os riscos associados à atividade sísmica.
A investigação revelou que os grupos humanos responderam aos eventos sísmicos modificando as suas estratégias de mobilidade e uso do solo.
Por vezes, abandonaram temporariamente o sítio ou reduziram a duração das suas ocupações, enquanto noutras ocasiões reorganizaram o uso do espaço para minimizar a exposição a quedas de rochas.
O estudo documenta também uma alteração significativa na dieta durante períodos de maior instabilidade geológica.
As comunidades de Vale Boi aumentaram significativamente a exploração dos recursos marinhos e costeiros, uma estratégia que provavelmente lhes permitiu diversificar as suas fontes de alimento e reduzir a dependência dos recursos terrestres em tempos de incerteza ambiental.
Além disso, períodos de intensa atividade sísmica coincidiram com um evento climático extremo conhecido como Heinrich 2, caracterizado por um arrefecimento severo.
“Nestes contextos de crise ambiental e geológica, os grupos humanos fortaleceram as suas redes sociais e as relações com comunidades mais distantes. A partilha de informação, contactos e recursos deve ter funcionado como uma proteção contra situações de incerteza e risco”, explicou Sánchez Martínez, citado pela Efe.
Leia Também: FAL pede reforço da ação social e do investimento no Ensino Superior

Publicar comentário