Carta de Ivo Rosa? "MP atua como se fosse um Estado dentro do Estado"

Carta de Ivo Rosa? "MP atua como se fosse um Estado dentro do Estado"

Carta de Ivo Rosa? "MP atua como se fosse um Estado dentro do Estado"


O antigo presidente da Assembleia da República Augusto Santos Silva comentou, esta quarta-feira, a carta enviada pelo juiz Ivo Rosa ao Presidente da República. Na missiva, o magistrado acusava o Ministério Público (MP) de perseguição.

“Esperei dois dias até escrever este comentário, os dois dias que se passaram desde que foi divulgada a carta pública dirigida pelo juiz Ivo Rosa ao Presidente da República e ao presidente da Assembleia da República”, começa por escrever Santos Silva numa publicação partilhada no Facebook.
O também antigo ministro socialista lembra que Ivo Rosa detalhou na carta os “oito processos que lhe foram movidos pelo Ministério Público, explica as suas circunstâncias temporais e pessoais e mostra como a lógica de todos eles foi a perseguição pessoal a um juiz cujas decisões não agradavam a (setores do) Ministério Público”.
“Tecnicamente, esses processos (todos finalmente arquivados, por falta de qualquer sustentação em prova) enfermavam de coisas tão graves como a violação da separação de poderes e da independência do poder judicial, a violação de direitos, liberdades e garantias e o abuso de poder do MP”, acrescenta.

Posteriormente, Santos Silva justifica a ‘demora’ de dois dias para comentar a situação, dando conta de que na sua “ingenuidade” presumiu que o Procurador-Geral da República, Amadeu Guerra, “viesse de imediato” contestar as alegações e provas do juiz ou então para “anunciar as decisões que tomava para, pelo menos (como o próprio Ivo Rosa pedia na sua carta), evitar vítimas futuras de tal atuação inquisitorial e ilegal do MP que dirige”.
E remata: “Nada. Mais uma vez, o MP atua como se fosse um Estado dentro do Estado. Espero agora que o Presidente da República, garante do regular funcionamento das instituições, faça alguma coisa.”
Note-se que na carta o juiz desembargador narra a cronologia e o encadeamento que, no seu entendimento, estão na base dos oito inquéritos-crime que lhe foram abertos pelo MP a decisões que tomou enquanto juiz de instrução criminal, e que se relacionam sobretudo com decisões dentro do processo da Operação Marquês, mas também do caso Octapharma.
“Nenhum juiz, muito menos num Estado de Direito como é Portugal, poderá ser ameaçado ou perseguido criminalmente pelo simples facto de o MP não ter ficado satisfeito com as decisões judiciais por si proferidas. Para além disso, nenhum juiz, quando está no processo de decisão e de aplicação do direito aos factos, jamais poderá ter receio ou medo quanto ao sentido da decisão que irá proferir”, argumentou Ivo Rosa.
Na longa exposição, em que começa por apresentar o seu currículo, com largos períodos de experiência em tribunais internacionais e de serviço no estrangeiro; em que transcreve uma avaliação elogiosa, classificada com Muito Bom, pelo Conselho Superior da Magistratura ao seu trabalho enquanto juiz de instrução; e em que detalha o que são funções e competências dos juízes e do MP; segue depois para uma explanação de cada um dos inquéritos.

Em carta enviada ao Presidente da República o juiz Ivo Rosa acusou o Ministério Público (MP) de o perseguir, difamar e tentar constranger, ao abrir oito inquéritos-crime a decisões judiciais suas, que foram contrárias à posição do MP.
Lusa | 19:54 – 14/05/2026

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