Tribunal dos EUA suspende sanções contra relatora da ONU sobre Palestina

Tribunal dos EUA suspende sanções contra relatora da ONU sobre Palestina

Tribunal dos EUA suspende sanções contra relatora da ONU sobre Palestina


A perita foi sancionada em julho de 2025 após criticar publicamente a política de Washington em relação à Faixa de Gaza, tendo sido proibida de entrar nos Estados Unidos – onde se localiza a sede das Nações Unidas, em Nova Iorque – e sujeita a um bloqueio financeiro total.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, também criticou a relatora especial por recomendar que o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitisse mandados de detenção contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.
No cargo desde 2022, Albanese acusou Israel de “genocídio” em Gaza na sua resposta ao ataque lançado a 7 de outubro de 2023 pelo movimento islamista palestiniano Hamas.
Numa ordem emitida na quarta-feira, o juiz federal Richard Leon emitiu uma providência cautelar temporária contra as sanções, indicou hoje a agência noticiosa francesa AFP.
“Proteger a liberdade de expressão é sempre do interesse público”, considerou o juiz no processo, iniciado pelo marido e pela filha de Francesca Albanese.
De acordo com a resolução, citada também pela agência espanhola EFE, as sanções poderiam violar a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos (EUA) ao serem dirigidas contra o conteúdo do discurso de Albanese.
A 27 de fevereiro, o marido da advogada italiana, Massimiliano Cali, e a sua filha, cidadã norte-americana, apresentaram a queixa alegando que, devido às medidas impostas pela administração Trump, a perita foi economicamente afetada e ficou sem acesso à sua casa em Washington.
O texto da queixa insiste que as sanções são uma “ferramenta poderosa” contra as “atividades de terroristas, criminosos e regimes autoritários”, mas alerta que “são abusadoras quando procuram silenciar opiniões desfavorecidas e violar os direitos constitucionais de pessoas que não agradam ao governo”.
No início de 2026, o Departamento de Estado dos EUA reiterou numa declaração que as sanções contra Albanese “são legais e apropriadas” e manteve as suas alegações de que a relatora “apoiou abertamente o antissemitismo e o terrorismo, e recorreu à ‘lawfare’ (guerra legal)” contra os EUA e os seus interesses.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, descreveu as sanções como “inaceitáveis” e um “precedente perigoso”.
As medidas também suscitaram condenação da Amnistia Internacional e da Human Rights Watch, entre outras organizações.
A decisão judicial suspende os principais efeitos das sanções, incluindo restrições à entrada nos Estados Unidos e o bloqueio de ativos no sistema financeiro norte-americano, até que o tribunal resolva o caso.
Albanese, que afirmou que as sanções dos EUA eram “calculadas para enfraquecer” a sua missão, saudou a decisão nas redes sociais.
“Juntos, somos um só”, disse numa mensagem publicada na rede social X, agradecendo ao marido e à filha e “a todos” os que a ajudaram.
A italiana, que foi nomeada pelo Conselho de Direitos Humanos mas não fala em nome da ONU, afirmou repetidamente ter recebido “ameaças”.
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