Luísa Sonza fala sobre o novo álbum "Brutal Paraíso"

Luísa Sonza fala sobre o novo álbum "Brutal Paraíso"

Luísa Sonza fala sobre o novo álbum "Brutal Paraíso"


A cantora brasileira Luísa Sonza foi procurar quem é “antes de tudo” para criar o novo álbum, “Brutal Paraíso”, contando em entrevista à agência Lusa que este disco cruza influências e experiências num registo “muito espontâneo”.

“Brutal Paraíso”, o quinto álbum da cantora, saiu em 07 de abril, poucos meses depois do primeiro lançamento em 2026, “Bossa Sempre Nova”, e inaugura uma nova era de apresentações ao vivo, tendo passado já por Coachella, na Califórnia, num caminho que passará por Portugal, no próximo ano, com concertos no Porto e em Lisboa, em abril.
“‘Brutal Paraíso’ segue uma sequência do «Escândalo Íntimo», do que propunha na época. Quis fugir desse disco no sentido de como fiz o álbum. […] Qualquer coisa que se compare ao «Escândalo Íntimo» vai se frustrar, porque até hoje é o maior álbum, de todos os prémios e recordes”, declara a artista nomeada para três Grammy Latino, em entrevista à Lusa, no Porto.
Segundo Luísa Sonza, mais do que “tentar repetir a fórmula, brigar com os próprios feitos”, queria criar uma nova sonoridade e evitar “passar o resto da vida correndo atrás do rabo”, a fazer sempre o mesmo.
“Tem um lugar muito especial, por ter nascido de maneira muito espontânea. Do nome do álbum ao conceito, a história e o facto de ser sobre a vida, e sobre a vida ser esse brutal paraíso”, revela.
Ali estão composições próprias, mas também uma ligação a trabalhos de Vinicius de Moraes, Tom Jobim e Gilberto Gil, e participações de Young Miko, Sebastián Yatra, MC Morena e Xamã, entre outras.
Neste processo, escreveu “95% das canções sozinha” e, com influências que vão da bossa nova à pop e ao funk, passando pela eletrónica e até o reggaeton, e nas letras o autoconhecimento, o empoderamento e a vontade de “não ficar amarrada” pela indústria musical saltam como temas dominantes.
“Tive muito de jogar o jogo, muitos anos, para conseguir ter esse apoio e essa força tão grande, minha, de uma equipa, de uma gravadora. […] Sempre fiz tudo o que eu de facto gostava, mas eu mesma me propus a jogar algumas coisas, a fazer de tal maneira, de como acreditava que poderia atingir o máximo de pessoas o mais rápido possível, que é o que a indústria pede hoje em dia. Só que chega uma hora que não dá, acho que tem um momento em que é o artista que tem de moldar a indústria e não a indústria moldar o artista”, afirma a brasileira, atualmente sob a chancela da Sony.
Muitas das influências do disco vêm da carreira de perto de dez anos da ainda jovem cantora, e a variedade também provém de ter procurado trabalhar com pessoas diferentes, em locais diferentes do mundo, e de ter ido procurar “a Luísa Sonza cantora em casamentos”.
“Eu tentei ir lá para trás, do que eu realmente gostava, do que eu realmente falaria. Quase que busquei uma Luísa adolescente para fazer as pazes com esse lugar. […] Comecei a buscar o que gosto, o que gostava, como eu sou antes de tudo. Fiz isso não só na parte musical, foi também muito antes na parte pessoal”, explica.
Refletindo o Brasil como “uma grande mistura, um mundo dentro de um país”, no título do disco e nas muitas influências que surgem ao longo das 23 faixas, o “coração é obviamente a última música”, uma carta que escreveu a pensar na sobrinha mais nova, Helena, avisando-a de algumas experiências de vida, dos “fins dos ‘para sempre'”, e de como se pode entender a vida e não a deixar “virar apenas brutal sem ser um paraíso” nem viver só a esperar a felicidade.
“A gente vive perda, é inevitável, a vida é isso. Só que eu acho que a gente esconde muito, performa o tempo todo. Não só eu, como Luísa Sonza ‘performer’, mas como pessoa. Estamos a performar, a tentar dar o nosso melhor, a tentar mostrar o paraíso. Mas acho que às vezes perde-se muito esse contacto humano verdadeiro. (…) No [Brutal Paraíso], não estou a tentar ser a melhor versão de mim, estou a tentar ser a versão mais real de mim”, declara.
Tendo muitas fãs jovens, a artista do Rio Grande do Sul, a viver em São Paulo há dez anos e com passagens frequentes pelo Porto, critica a forma como as redes sociais obrigam a “uma performance absurda o tempo todo”, e lembra a irmã para ver um peso exacerbado nas gerações mais novas.
“Pensei: «Bom, acho que preciso de trazer essa bagunça», porque ninguém está trazendo. Ninguém está a falar sobre isso. […] Há coisas em que falo: «Jesus do céu, a gente não lutou tanto até hoje para chegar a isso de novo», sabe? A um conservadorismo completamente descabido”, aponta.
Nessa “busca da humanidade” que o novo disco, com letras em português, espanhol e inglês, reflete, “ser humano” é o que tem tentado transmitir, quer nas redes sociais como em concertos, entrando numa nova digressão mundial depois de uma experiência “perfeita” em Coachella.
A Lisboa e Porto, diz ter tomado boa nota de “reclamações” da última passagem, por estar habituada a concertos com música de fio a pavio, sem interrupções para conversar, trazendo, em 2027, “uma ‘setlist’ especialmente pensada” para as cidades portuguesas, com tempo para conversar com o público.
Luísa Sonza nasceu em 1998 no estado do Rio Grande do Sul, tendo lançado, em 2026, dois álbuns, “Bossa Sempre Nova” e “Brutal Paraíso”, numa fase de consolidação internacional da carreira, incluindo uma atuação no festival Coachella, na Califórnia.
Começou numa banda de eventos, depois celebrizou-se com versões de outras canções, através do YouTube, e nos últimos anos tem dominado as tabelas dos discos mais ouvidos no Brasil e em outros países.
“Escândalo Íntimo”, lançado em 2023, conta com participações de nomes como Demi Lovato, Caetano Veloso e Marina Sena, entre outros, e teve a melhor estreia de sempre de um disco no Spotify Brasil, com 15,6 milhões de audições nas primeiras 24 horas.
Foi, então, a 18.ª artista mais ouvida do mundo e essa estreia foi também a mais forte de um álbum brasileiro em Portugal, tendo estado no primeiro lugar da Apple Music no Brasil, Portugal e Cabo Verde.

A cantora Luísa Sonza expressou a sua preocupação com o uso desenfreado da Inteligência Artificial na música, pedindo uma revisão das leis para proteger os artistas. A artista já foi vítima da tecnologia com uma música chamada “Sina de Ofélia”.
Lusa | 08:22 – 10/05/2026

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